

Quando se pensa nas qualidades do brasileiro, uma das primeiras que vêm à mente é a criatividade, a capacidade de lidar com situações adversas. Um exemplo é a professora paraibana Daniele Dias, de 26 anos, coordenadora do laboratório de Informática de duas escolas em Bayeux, localizada na grande João Pessoa, Paraíba.
As escolas de ensino fundamental onde Daniele trabalha, Maria do Carmo da Silveira Lima e Presidente Tancredo de Almeida Neves, não têm acesso à Internet. Assim, os estudantes selecionados para o programa Microsoft Aluno Monitor estavam com dificuldades para realizar o curso, que é baseado em interatividade on-line.
Mas nem por isso tiveram que abandonar o programa. Com boa vontade e disposição, Daniele encontrou a solução: resolveu voluntariamente levar os alunos monitores para sua própria casa, para que tivessem a oportunidade de aprender os conteúdos do curso.
“Não podemos desistir do que desejamos na primeira dificuldade. Quero mostrar para os alunos que existem alternativas, que se não conseguimos algo de uma forma, devemos procurar outra opção”, sugere Daniele.
A futura pedagoga (Daniele se forma este ano) conta que, além de ceder sua casa para o estudo, ainda ajuda pagando as passagens de ônibus para que os alunos possam chegar.
“Moro em João Pessoa, que fica uma hora distante das escolas. Se eu não ajudar financeiramente, os alunos não têm como vir, pois são jovens que vivem em comunidades carentes. Isso se tornaria uma dificuldade a mais”.
Quatro alunos monitores participam das sessões de estudo na casa de Daniele. Os encontros de estudo acontecem com freqüência, sempre que é possível para todos. Feriados não são descartados pelo grupo.
Além dos alunos, três professores de Informática também vão à casa de Daniele, tudo supervisionado pelo professor-tutor Fabiano Torres, que fica à disposição on-line, para sanar possíveis dúvidas. Ele conversa com os alunos pelo Messenger (programa de comunicação instantânea), direto de Bauru, São Paulo.
Na sala de jantar da casa de Daniele os alunos se distribuem em dois computadores. O aproveitamento do curso é otimizado pela grande interação entre os jovens.
Os momentos de lazer são reservados à hora do lanche. “Às vezes tocamos violão e cantamos um pouco para relaxar”, diz.
Além de oferecer sua casa como local de estudos, a professora também agenda regulamente visitas ao Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) de João Pessoa. Mas as aulas já aconteceram em lugares não-convencionais.
“Uma vez os alunos foram à minha casa, mas a Internet não estava funcionando. Tivemos então a idéia de ir estudar no cyber café do shopping center. Foi muito divertido e proveitoso, passamos horas lá”, relembra Daniele.
Uma das alunas monitoras atendidas por Daniele, Camila Franco, de 13 anos, da 8a série, não economiza elogios à educadora:
“Se não fosse por ela, não teríamos como concluir o curso. Daniele é muito esforçada e faz o que pode para nos ajudar. É uma pessoa ótima”.
Fabiano Torres, o professor-tutor, também vê a atitude de Daniele com entusiasmo:
“Projetos de inclusão digital como o Microsoft Aluno Monitor e a dedicação de pessoas como a professora Daniele são exemplos para todos os cidadãos que sonham com um Brasil melhor e mais justo”.
Por enquanto, esta é a forma que Daniele encontrou para ministrar o curso. Mas a professora espera obter parcerias junto à Secretaria Estadual de Educação para que a Internet seja uma realidade nos computadores dos laboratórios das escolas da cidade.
Exemplos como este demonstram que qualquer objetivo pode ser alcançado, desde que haja iniciativa. Talvez esta seja uma lição tão importante para os alunos monitores quanto dominar os recursos das novas tecnologias.

Bilhete recebido por Daniele da aluna Camila Franco.