É um sábado, mas o estudante Jorge Delgado Júnior vai à escola. Dia de aula? Que nada!
O garoto de 15 anos, aluno de 7ª série, é o primeiro a concluir a Fase II do Programa Microsoft Aluno Monitor. Em pleno dia de descanso, ele segue para seu lugar preferido: o laboratório de informática da EMEF Agripino Ribeiro Filho, de Araçagi, uma cidade de 20 mil habitantes no interior da Paraíba.
Lá, em meio a cinco computadores equipados com internet via satélite e um ventilador ligado para amenizar o calor da sala, Jorge sente-se em casa.
É ali que ele passa boa parte do tempo durante a semana. E, quando dá, também nos fins de semana.
"Gosto de mexer em computador. Sempre tem coisa para aprender e só vou conseguir melhorar se me dedicar", diz com convicção.

Jorge é um dos alunos do Programa Aluno Monitor, que na Paraíba está sendo desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Educação.
Em abril de 2004, Jorge teve a chance de participar das Oficinas Presenciais, ministradas na capital João Pessoa.
Ele foi o aluno selecionado de sua escola, depois de passar por um teste feito com todos os estudantes.
Durante os dois dias que ficou em João Pessoa, Jorge aprendeu as lições básicas sobre o Programa Aluno Monitor, como se cadastrar e como utilizar os recursos de aprendizagem on-line.
Os demais conteúdos ele está aprendendo agora, por meio do ambiente virtual do curso. Jorge finalizou a Fase II do Programa Aluno Monitor e aguarda, ansioso, para iniciar a próxima etapa.
"As atividades são bem interessantes e estou aprendendo aos poucos", avalia ele. "Quando tenho uma dúvida, pergunto para o tutor pelo chat".
Entre as tarefas de que Jorge mais gostou estão os desenhos em Paint Brush – "Demorei dois dias para fazer um carro, mas ficou bem legal" – e os exercícios: "Um deles eu fiz três vezes até aprender!"
De tanto fuçar nas máquinas e estudar o funcionamento dos programas, Jorge transformou-se em um assistente do laboratório de informática da escola.
Por vezes, quando o professor não pode dar uma aula, o garoto deixa a condição de aprendiz e torna-se o "mestre" de seus colegas.
"Eles reclamam que sou muito exigente e só querem saber de jogar no computador", diverte-se o aluno monitor. "Mas eles estão lá para aprender e eu procuro falar que quem não sabe informática não consegue um bom emprego".
Bem curioso, Jorge faz um pouco de tudo como assistente do laboratório: ajuda na limpeza do equipamento, formata as máquinas quando necessário e até põe a "capinha" do monitor no caso de um esquecidinho não colocar.
Para cuidar melhor dos computadores, Jorge chegou a organizar com sua turma sessões de cinema na escola ao preço de 50 centavos o ingresso. O objetivo: comprar ventiladores para pôr na sala de informática.
Depois de exibir "Matrix" e "Homem-Aranha 2", as sessões foram interrompidas, mas acabou rendendo o ventilador que é usado atualmente.
O próximo desafio para a escola, segundo Jorge, é instalar ar-condicionado para preservar o equipamento. E o dinheiro? "Podemos montar uma gincana", imagina ele.
A paixão de Jorge pela informática não é de hoje. Desde os 10 anos, já gostava de brincar no computador de casa. "Jogava Duke Nukem sem parar", relembra. Para quem não sabe, Duke Nukem é um jogo de ação bastante popular.
Quando concluir o Ensino Médio, Jorge tem em mente estudar Ciência da Computação ou Agronomia, por causa da profissão do pai. "Ainda é cedo para pensar", desconversa.
Entre os passatempos, Jorge anda de bicicleta, assiste Sessão da Tarde, escreve poesias. Hum… Está sentindo falta de alguma coisa?
Sim! Como não poderia deixar de ser, Jorge fica antenado no mundo pela internet. E sua paixão é trocar figurinhas no Messenger, programa de comunicação instantânea de alcance mundial.
Foi pelo Messenger que Jorge descobriu que quer conhecer Curitiba. "Uma pessoa que mora lá falou que a cidade é muito linda".
Mais do que isso: há algumas semanas ele incluiu em sua lista de contatos uma "namoradinha virtual". É uma garota de 14 anos, brasileira, que mora em Boston, nos Estados Unidos.
Ah, é essa tal da aldeia global levada à prática. Ou, em outros blablablás, é como se o uso que Jorge faz do computador desse sentido à propalada expressão "inclusão digital".
Seja como for, o garoto não perde o pique: "Tem muitas coisas que quero aprender em informática e só vou conseguir se mexer no computador".