
Em uma noite de estrelas, a emoção de ouvir a célebre frase de premiação do Oscar - "The winner is…" (O vencedor é…) - coube a quatro estudantes pernambucanos, vencedores da etapa brasileira do Imagine Cup na categoria Projeto de Software.
Tal qual a celebração mais famosa do cinema, André Furtado, Gustavo Danzi Andrade, Igor Gatis e Leonardo Sobral sagraram-se ganhadores em meio a outros fortíssimos concorrentes.
O título foi anunciado pelo apresentador de TV Marcos Mion, que comandou a cerimônia realizada em 5 de maio de 2005 no salão de eventos do Hotel Unique, em São Paulo.
Quando Mion pronunciou "Solvent - SD" - o nome da equipe vencedora - uma explosão de alegria tomou conta dos quatro jovens.
Tamanha euforia se explica: os estudantes foram os selecionados para representar o Brasil na final mundial do Imagine Cup, a copa do mundo da computação, promovida pela Microsoft. A fase decisiva será realizada no Japão, entre 27 de julho a 1o de agosto de 2005.
Turismo sem fronteiras

Com um projeto para o setor turístico, o Solvent venceu outras 162 equipes inscritas na fase nacional da competição na categoria Projeto de Software.
A proposta dos estudantes de Pernambuco prevê a integração da tecnologia à vida do turista. O software permitirá enriquecer as viagens, por meio da busca e visualização de pontos mais visitados, sons relacionados ao local, textos e até mesmo a avaliação de outros turistas. Também estão incluídas frases em idioma nativo para auxiliar na comunicação.
"Procuramos quebrar todas as fronteiras: geográficas, culturais e de idioma", resume André Furtado, de 24 anos, relembrando o tema do concurso: "Imagine um mundo onde a tecnologia elimine as barreiras entre nós". "Por isso a escolha do nome da equipe: Solvent", justifica.
Outros projetos
A equipe Igames Brasil, do Instituto Militar do Rio de Janeiro, foi a segunda colocada. Os estudantes criaram uma solução para facilitar a participação de pessoas de várias nacionalidades em grandes eventos.
Por meio de um handheld - espécie de computador de mão -, o usuário pode receber notícias sobre as competições, assistir a vídeos e agendar lembretes.
Único integrante de sua equipe, Bruno Feu, da Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte (PUC-BH), ficou em terceiro lugar.
Feu desenvolveu um sistema para auxiliar profissionais de saúde a terem acesso às informações de seus pacientes. Em 2004, o estudante havia terminado em sexto lugar no Imagine Cup. "Ainda não desisti. 2006 me aguarda", disse, confiante.
Para Marcos Pinedo, diretor de Estratégia .NET e desenvolvedores da Microsoft Brasil, todos os grupos podem ser considerados campeões.
"Temos que dar os parabéns a esses jovens pelo excelente desempenho", afirma. "Os resultados demonstram que cumprimos nosso objetivo, que é motivá-los e dar condições de mostrar sua capacidade ao mercado", completa.
Liderança brasileira

Além de Projeto de Software, as equipes concorreram em mais 8 categorias: Algoritmos, Filme Curta-Metragem, Computação Gráfica, Soluções para Microsoft Office, Plano de Negócios, Projetos de Infra-Estrutura, Jogos e Desenvolvimento Web. As três últimas estavam destinadas também a estudantes de ensino médio.
Nestas categorias, a competição acontece pela internet. Os finalistas serão anunciados até 31 de maio.
Esta é o segundo ano que o Brasil participa do Imagine Cup e já lidera o ranking mundial de inscritos: foram mais de 4,5 mil estudantes.
"Com o sucesso obtido no ano passado, os estudantes perceberam a importância do concurso em todo o mundo", acredita Rogério Panigassi, gerente de Programas Acadêmicos da Microsoft. "Os jovens brasileiros estão conscientes que só têm a ganhar", finaliza.
Dedicação total
A vida dos participantes costuma mudar muito durante a elaboração do projeto. São horas e horas dedicadas ao Imagine Cup. André Furtado que o diga.
O estudante da equipe vencedora, que participa do Imagine Cup pela segunda vez, está concorrendo em outras três categorias.
Além de ser mestrando na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Furtado também trabalha.
"O esforço é temporário. O que são dois, três meses, comparados a uma vida?", pergunta.
O companheiro de equipe Igor Gatis, de 24 anos, também fez o que pôde para conciliar tantas atividades. "Quem não gostava dessa história era minha namorada. Nunca sobrava um tempinho para ela", lamenta.
Agora, os finalistas brasileiros terão uma longa viagem para o outro lado do mundo. No Japão, eles vão ter a chance de brilhar mais uma vez.
Fotos: Décio Figueiredo
Reportagem: Vivian Ragazzi