 | Sobrenome: Guerra. Mais conhecido por (ser) Guerreiro
Por Adriana Cortez |
Ricardo Guerra Freitas (30) é brasiliense, reside no Rio de Janeiro desde 1993 e tornou-se Student Partner há menos de um ano. Seu desempenho, porém, impressiona. Parece até que o vínculo com a tecnologia, e especificamente com a Microsoft, não é de hoje. Bom, não deixa de ser, considerando que aos 8 anos ele já digitava suas tarefas escolares no computador e gerava dúvidas na mente de seus professores, que custavam a acreditar ter sido ele, sozinho, o responsável pelos trabalhos.
Inspirado no pai, funcionário do Governo Federal na área de computação, Ricardo dava início também às suas primeiras investidas em programação. Aos 11 anos, fez um emulador (software que simula algo) de DOS e deixava seu pai de cabelos em pé. “Do lado de fora das salas, envidraçadas, eu me divertia com a reação dos alunos dos cursos ministrados na empresa dele. Quando digitavam qualquer comando do DOS (sistema operacional), aparecia na tela como se estivessem formatando o HD do curso. Eles sempre achavam que tinham feito algo errado”, relembra com alegria. “Aos 12 anos, eu morava em Vitória (ES) e ficava disputando com um amigo quem era melhor em programação. Numa dessas, durante as eleições de 89 fiz um programinha que computava votos. Era como um simulador de pesquisa”, acrescenta. Ele ainda conta que sua mãe, repetidas vezes, dizia: “Um dia o Bill Gates vai te contratar!”.
Primeiros passos
De certa maneira, sua mãe parece ter antevisto o seu futuro. Apesar de não ser contratado da Microsoft, Ricardo atua como se fosse um funcionário da empresa. Nos eventos de que participa, nas visitas a universidades, em conversas via internet, tudo é feito com extrema dedicação. “Mas nunca trabalho visando a um prêmio. Minha principal preocupação é com a qualidade do que devo apresentar. A premiação é conseqüência”, ressalta o primeiro colocado de março no ranking dos estudantes embaixadores da América Latina, e também o moderador mais ativo do MSDN Wiki Brasil (http://msdnwiki.microsoft.com/pt-br/mtpswiki/default.aspx), portal de colaboração da Microsoft, que, pela primeira vez, tem a documentação do Visual Studio em português.
Ele comenta que há uns três anos, quando começou a fazer parte de um grupo de pessoas que promovia palestras sobre tecnologia .NET, é que sua relação com a Microsoft foi se estreitando. Ricardo já era um grande divulgador da marca, mas nem fazia idéia do que estaria por vir.
Em fevereiro de 2006, enquanto participava de um evento na Universidade Estácio de Sá (RJ), ele chamou a atenção de Guilherme Carvalhal, hoje executivo da área de ISV (Independent Software Vendor), e de Amintas Neto, um dos gerentes educacionais da Microsoft. Era o ImagineCup RoadShow, encontro internacional voltado a estudantes de nível superior, e Ricardo tinha feito uma apresentação sobre o Projeto Hoshimi – categoria de jogos de estratégia, cujo objetivo é conseguir tirar o paciente do coma utilizando as técnicas do professor Hoshimi.
Devidamente apresentados, os três começaram a conversar e, pouco tempo depois, Guilherme anunciou: “Guerra, você tem tudo pra ser um Student Partner! E, no que depender de mim, você será”. Depois de ouvir isso, Ricardo redobrou sua dedicação. Um pouco antes do meio do ano passado, já tendo desenvolvido alguns trabalhos a pedido de Guilherme e de Amintas, ele percebeu que não havia nenhum representante carioca (hoje são seis; quatro deles indicados por Ricardo) e que aquela poderia ser a sua grande chance. “Vislumbrei uma oportunidade de representar o programa. Isso seria a oficialização do que eu sempre falei nas minhas palestras”, concluiu ele naquele momento. Foi então que resolveu se inscrever. Não demorou muito e, em julho de 2006, foi nomeado Student Partner (SP).
Resultados positivos
Como representante oficial da Microsoft, Ricardo já teve a oportunidade de divulgar o Projeto Hoshimi em outras localidades, como Teresina, no Piauí, e de trocar experiências com outros SPs. “Outro dia, recebi uma mensagem de um Student Partner de El Salvador pedindo ajuda para difundir o programa em seu país”, declarou o Microsoft Student Partner Lead. Sim, mais um título para Ricardo! Agora o Programa Student Partner tem líderes regionais para auxiliar novos SPs. Ricardo foi escolhido para atuar no Rio de Janeiro e também no Espírito Santo, Estado em que não há Student Partners para orientar os iniciantes. “Recentemente também auxiliei um professor da área de informática de uma faculdade em Belém (PA). Foi indicação de um dos participantes do Community Zone – evento ocorrido em São Paulo, nos dias 23 e 24 de março de 2007 –, com quem eu já mantinha contato por MSN”, explica ele, que deseja ser um representante brasileiro do Projeto Hoshimi e tem como meta para o ano que vem competir nessa categoria na Imagine Cup.
No fim do ano passado, logo após ter participado do Tech-Ed em São Paulo – maior evento mundial de tecnologia da Microsoft voltado aos profissionais de TI e aos desenvolvedores –, Ricardo rumou de ônibus para o Rio de Janeiro, onde participaria de outro compromisso. Saiu de São Paulo à meia-noite, chegou ao Rio às 6 da manhã, passou em casa, pegou seu material e foi direto para o Colégio Mercúrio. Lá integrou a comissão julgadora que escolheu os melhores trabalhos desenvolvidos pela garotada, num evento interno da instituição. “Eu acho que a grande satisfação é ver pessoas que quase não conheciam a tecnologia Microsoft hoje se mostrarem conhecedoras do assunto”, afirma ele, que há um mês ganhou uma placa da Microsoft pelo trabalho e dedicação no ano fiscal de 2006.
Além de tudo isso, Ricardo trabalha na Cia. Editora Forense como programador desde 2003, e é aluno do 4ª semestre noturno de Sistemas de Informação, na UniCarioca. Faz aulas particulares de inglês e administra o Code4All, grupo de usuários Microsoft que ajudou a fundar há um ano. “São quatro líderes e dois colaboradores que desenvolvem atividades e promovem discussões para difundir a tecnologia. Hoje em nosso grupo há cerca de 50 pessoas cadastradas”, diz.
Como não tem carro, resolve tudo de ônibus, metrô e, dependendo do lugar, até mesmo de trem. “Mas nunca me neguei a ir a nenhum evento da Microsoft por não ter um meio de transporte próprio”, conta com orgulho, lembrando que até pouco tempo atrás levava às apresentações seu desktop debaixo do braço, pois não tinha um notebook. E tudo sempre acompanhado de sua mulher. “Minha esposa é o meu braço direito, é guerreira (também!), me ajuda com tudo. Sem ela seria impossível fazer tanta coisa.”
Seu desejo para o futuro profissional? “Adoraria trabalhar na Microsoft, na área de Educação. Acho motivador difundir o conhecimento.” Será que a profecia de sua mãe vai se concretizar?
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