DE RECIFE PARA O MUNDO

Empreendedorismo marca a trajetória do Student Partner André Furtado
O sol estilizado no centro da bandeira de Pernambuco simboliza, segundo os revolucionários de 1817 que lutaram contra a opressão da coroa portuguesa, a energia e a força do Estado e de seu povo. O recifense André Furtado leva consigo essa marca simbólica. Força, energia e, sobretudo, muita determinação e trabalho se expressaram em 2005, no Japão, quando a bandeira pernambucana foi desfraldada na final da Imagine Cup, competição de computação na qual André levou nada menos que o primeiro lugar na segunda categoria mais importante – Soluções para Office.

Porém, esse evento nem de longe marca o ápice da trajetória de André no universo da tecnologia da computação. Como veremos, nosso personagem não parou por aí.

O começo de tudo

Como milhares de crianças da sua geração, André era fascinado por jogos digitais como Odissey, Atari, Nintendo, etc. Mas o garoto, inquieto e curioso, flanava imaginando que criar jogos poderia ser tão divertido quanto jogá-los. Na adolescência, descobriu e encantou-se com a linguagem HTML para a construção de páginas na internet. Anos depois, essas “brincadeiras” foram determinantes na escolha da faculdade de Ciência da Computação.

André, como a maioria das pessoas, sempre lidou com produtos Microsoft como usuário. Ao ingressar na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), descobriu que a empresa também fazia programas para criar outros programas. Orientado pelo professor André Santos, Furtado começou interagir com projetos de pesquisa que envolviam algumas tecnologias Microsoft.

Student Partner

No final de sua graduação, o Centro de Inovação Microsoft de Recife (então “Centro XML”), onde André trabalhava como estagiário, convidou-o para participar do evento Train The Trainers (atual Community Zone), que reúne os principais nomes da comunidade .NET em São Paulo. Para sua surpresa, durante o evento foi nomeado um dos cinco novos Student Parners do país.

Assim, naquele final de 2004, André já acumulava várias atividades, atuando como Student Partner, como colaborador do Centro de Inovação Microsoft e desenvolvendo projetos de pesquisa. André, porém, não se ateve a uma única tecnologia ou plataforma – “aproveitei a oportunidade para adquirir o que existia dentro e fora do mundo Microsoft, para saber tomar minhas decisões profissionais de forma independente”, diz.

Imagine Cup – Janela para o mundo

Como uma de suas primeiras tarefas no papel de Student Partner foi divulgar a Imagine Cup, André se interessou pela competição e decidiu participar também. O estudante não deixou por menos: das nove categorias, inscreveu-se em oito. Foram quatro meses de trabalho exaustivo, mas o resultado compensou. André alcançou as semifinais em quatro categorias; passou para as finais no Japão em duas – foi o único estudante do mundo a participar das finais em mais de uma categoria da competição –; e, por fim, foi campeão na categoria Soluções para Office. Além dessa vitória, sua outra equipe conquistou o quarto lugar na categoria principal da competição: Projeto de Software.

Bola de Neve

Não seria exagero afirmar que a vida de André pode ser dividida entre antes e depois do Imagine Cup. “A seqüência de eventos que se seguiram à conquista foi como uma bola de neve”, lembra Furtado.

Em janeiro de 2006, a convite da Microsoft, André e equipe foram para a Inglaterra participar de um workshop de consultoria técnica, de negócios e de interface, a fim de transformar aplicações criadas por eles em soluções prontas para o mercado.

No mesmo ano, André atuou como mentor de duas equipes participantes da Imagine Cup, esta com finais na Índia. Mais vitórias: uma das equipes levou o troféu de primeiro lugar em Interface Designer, enquanto a outra conquistou o vice-campeonato mundial.

Empreendedorismo

Ainda em 2006, outra competição traria mais oportunidades. Aproveitando o conhecimento de negócios adquirido no workshop na Inglaterra, André e sua equipe da Imagine Cup submeteram um projeto ao Desafio FGV-Intel de Empreendedorismo, que premia os três melhores planos de negócios com foco na inovação tecnológica. Ao conquistar o vice-campeonato, a equipe garantiu sua participação no Intel+UC Berkeley Technology Entrepreneurship Challenge, na Califórnia, EUA. “Estávamos saindo da área técnica para a área de negócios”, diz André.

Neve, frio e calor humano

Em novembro, mais uma surpresa: ao submeter um artigo relacionado ao seu tema de mestrado – com foco em tecnologias Microsoft para desenvolvimento de jogos – para uma conferência de Engenharia de Software na Rússia, André teve o texto aprovado. Para defender sua tese, a Microsoft Brasil enviou-o para Moscou, onde aproveitou para realizar alguns eventos em uma célula acadêmica da região e conhecer outros Student Partners, que o receberam como amigo de longa data.

Próxima parada, Redmond

O ano terminou com a realização de uma meta pessoal – palestrar no Tech Ed, o maior evento anual da Microsoft Brasil, para desenvolvedores de todo o país –, e com um grande passo para o futuro: a indicação para uma oportunidade de trabalho no quartel-general da Microsoft Corporation, em Redmond, EUA. André foi bem sucedido no processo de seleção e deve começar no seu novo emprego em janeiro de 2008.

Caribe e Bahamas

Em janeiro de 2007, André aproveitou o tema de sua tese de doutorado – a nova linguagem XNA para desenvolvimento de jogos – para participar da competição XNA Challenge Brazil, também promovida pela Microsoft. Com a idéia de equipar o jogo Space War com reconhecimento de voz, André levou o primeiro lugar. Como vencedor, embarcou num evento chamado Academic Days on Game Development, que ocorreu em um cruzeiro pelas Bahamas e Caribe, com palestras a bordo, discutindo o futuro dos jogos digitais.

Nesse cruzeiro, André foi convidado a participar do Desafio XNA 4x4, que aconteceria na maior conferência mundial de jogos do mundo – a Game Developers Conference –, em São Francisco, EUA. André levou sua e equipe e cumpriu o desafio: montar um jogo em apenas quatro dias.

E o que vem por aí

O ano de 2007 promete. André e sua equipe do Imagine Cup 2005 conseguiram finalmente levantar investimento para transformar a idéia, que se originou na competição, em uma empresa. Tiveram seu projeto aprovado pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), instituição que financia a inovação e a pesquisa científica e tecnológica em empresas. Com o financiamento, já empregam uma equipe de 15 colaboradores em Recife em um projeto intitulado MyTV. A proposta é que cada pessoa seja um canal transmissor de conteúdo para a TV Digital. Dia 15 de maio os trabalhos começaram oficialmente. E a Coréia o espera para a próxima Imagine Cup.

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