Esforço pessoal reconhecido
O que leva um aluno a buscar desafios cada vez maiores? No caso de Diogo Romero Burgos do Nascimento, 22 anos, não é somente a vontade de crescer e de se destacar. Ele quer ajudar o mundo a melhorar.
Estudante do 5º semestre de Engenharia da Computação, na Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco, Diogo integra a Equipe Oysterix, vencedora da etapa nacional da Imagine Cup 2007, competição internacional da Microsoft voltada a estudantes, cuja final será na Coréia, de 5 a 10 de agosto deste ano.
Batizado de KnowTouch, o projeto concorreu na categoria Software Design e surgiu de uma idéia que ele teve ao pensar no avô. “Quando vi o tema da edição de 2007 [“Imagine um mundo onde a tecnologia permite uma educação melhor para todos.”], pensei logo no meu avô, que, por causa da diabete, ficou cego e teve muitas dificuldades para continuar com o ritmo de vida que levava, principalmente quando queria ler algo”, explica, lembrando que há atualmente cerca de 160 milhões de deficientes visuais em todo o mundo.
 Diogo Burgos
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Animado com a idéia, reuniu mais três amigos: um colega de Engenharia da Computação e dois do curso de Mecatrônica. Estudaram três meses sem parar para desenvolver o protótipo, composto por um software que transfere um determinado conteúdo para leitura em Braile numa prancheta com pinos eletromecânicos (hardware). O projeto, que custou R$ 500, está sendo patenteado e a idéia de produção em escala já faz parte dos planos do quarteto. “Precisamos encontrar parceiros que possam nos ajudar a tornar mais fácil a vida dos deficientes visuais”, declara com orgulho e saudoso do avô, a quem presta uma homenagem póstuma com o projeto vitorioso.
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Quem passa a conhecer sua trajetória imagina que ele tenha sido sempre fera nas Ciências Exatas, certo? Errado! Enquanto cursava o ensino médio, ele conta que teve vários problemas com a Matemática, em especial. Precisou até de professor particular para entender a disciplina. Afastados os fantasmas que o atormentavam, Diogo passou a adorar a matéria. Aí surgiu outra dúvida: seguir carreira em Exatas ou alguma relacionada à História, disciplina de que sempre gostou? Decidido pelos números, faltava optar entre Ciências da Computação e Engenharia da Computação. Por gostar de criar e de ver os resultados concretos de um trabalho, escolheu Engenharia. Logo no início do curso, ele lembra que teve de defender o software livre na aula de Sociologia, tema proposto pelo professor ao seu grupo de trabalho. “Mas aquilo vinha de encontro ao que eu pensava. Eu não compartilhava daquelas idéias.” Tanto que começou a participar de eventos da Microsoft, da comunidade .NET e entrou para um grupo de estudos chamado Shap Shooters, tudo sem esquecer os recursos do IT Academy, como ele faz questão de frisar: “O IT Academy nos ajudou bastante. Com ele, acabamos conhecendo softwares que nem sabíamos que existiam. Com certeza, esse programa contribuiu muito para que chegássemos à final da Imagine Cup”. Daí em diante, passou a dar palestras e hoje, há pouco mais de três meses, tornou-se Student Partner.
E tem mais. Diogo e sua turma embarcam no dia 24 de junho para os Estados Unidos, onde apresentarão o projeto a Bill Gates. “Do total, 92 equipes, somente seis em todo o mundo foram chamadas, e nós estamos nesse meio. Fomos escalados e estamos trabalhando duro para fazer o melhor. Será a nossa prévia para a grande final”, conta, cheio de entusiasmo. Questionado se sente muita pressão, ele responde: “Em 2005, o Brasil ficou em 4º lugar; no ano passado, em 2º. Sempre haverá o fantasma da equipe anterior. Não podemos baixar o nível”. Trabalhando para conquistar o lugar mais alto do pódio eles estão, e muito! Hoje mesmo, após nos conceder entrevista, Diogo ficou acordado até as 6 da manhã para ajustar alguns detalhes que poderão fazer toda a diferença. Ele que o diga: sua equipe venceu a 2ª colocada por 0,04 centésimos. E olha que é um time formado só por campeões de edições anteriores, hein?
Junho/2007Adriana Cortez