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Alunos do Brasil, França e Portugal constroem projeto inovador

Publicado em: 30 de Setembro de 2008
Aluna atenta ao blog Vôo BPF

“Quando a gente cai, o mais difícil não é se levantar. O mais difícil é não ter medo de cair de novo”. A frase acima abre o livro “Seis tombos e um pulinho”, de Mário Fragata, que conta as aventuras de Santos Dumont até a invenção do 14 bis. A obra mostra como o corajoso aviador enfrentava cada um de seus tombos, fazendo deles uma forma de aprendizagem. Inspiradas neste ideal e nesta história, a educadora carioca Marise Brandão e a gaúcha Marli Fiorentin desenvolveram o projeto Vôo BPF.

O trabalho consiste em um intercâmbio entre escolas do Brasil, Portugal e França e tem como temática o centenário do aviador brasileiro, partindo da leitura da obra e utilizando as ferramentas das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). As atividades envolveram 115 alunos de seis turmas do ensino fundamental dos três países.

Toda criatividade e cooperação rendeu a conquista na categoria Educador Inovador no Prêmio Microsoft Educadores Inovadores 2008. E de onde vem tanta inovação? “O projeto é inovador porque é ousado. Não é um projeto de consumo de informações, mas de produção de conhecimento por meio da autoria do aluno”, contam as educadoras. Dessa forma, o projeto inovou por ultrapassar os muros da escola, tornando a aprendizagem mais flexível no tempo e no espaço e unindo dois continentes.

O planejamento do trabalho começou com uma reunião inicial com os alunos, explicando a importância de eles estarem inseridos neste projeto. Após uma pesquisa na internet para recolher material sobre Santos Dumont, foi criado o blog Vôo BPF com a finalidade de publicar os trabalhos, as imagens e a opinião dos envolvidos.

Cláudio Fragata, autor do livro, interage com participantes do projeto

“Todas as atividades de realização dos trabalhos publicados no blog utilizaram tecnologia digital e informática que permitiram desenvolver nos alunos competências que levam à infoinclusão e literacia digital”, explicam as professoras. Ao final das atividades, houve a realização de uma videoconferência envolvendo representantes do Brasil, Portugal e da França, além dos educadores e alunos envolvidos no projeto.

Os educadores envolvidos no Vôo BPF trabalharam em parceria e utilizaram a tecnologia como ferramenta de ensino-aprendizagem e de comunicação. O MSN Messenger, inclusive, foi o principal veículo para a formação dos educadores para o projeto, por meio do qual eles trocaram informações e experiências durante o desenvolvimento das atividades.

Os resultados foram os melhores possíveis: houve uma grande mudança de comportamento por parte dos alunos, aumentando o interesse pelos estudos, o desenvolvimento de competências e habilidades, elevando a auto-estima de todos os educadores e estudantes envolvidos. A avaliação foi feita baseada na observação do envolvimento dos alunos durante todo o processo de desenvolvimento das atividades

“A maior conquista deste trabalho é a verdadeira inclusão digital, mudando a história de vida de vários alunos”, finalizam.


Entrevista

Em qual desses itens você acredita que seu projeto se encaixa melhor: conteúdo, comunidade ou colaboração e porquê?
O projeto Vôo BPF tem como ponto forte a colaboração porque os alunos construíram conhecimentos por meio da interação numa rede de aprendizagem, utilizando a internet para publicação das produções, socialização do conhecimento e comunicação para as trocas realizadas.

Em que aspecto o seu projeto inovou no uso da tecnologia?
O projeto é inovador porque é ousado. Não é um projeto de consumo de informações, mas de produção de conhecimento por meio da autoria do aluno, envolvendo escolas do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro no Brasil, Junqueira, Vila do Conde em Portugal e Saint Germain - en - Laye, na França. O projeto utilizou o blog Voo BPF como ferramenta de publicação, socialização do conhecimento e comunicação entre as diferentes escolas

"O projeto é inovador porque é ousado. Não é um projeto de consumo de informações, mas de produção de conhecimento por meio da autoria do aluno”

Quais os resultados pedagógicos e/ou de gestão alcançados, em seu Projeto? Quais os benefícios do uso da tecnologia?
O projeto melhorou as competências de leitura e escrita e o letramento digital dos alunos, que se apropriaram das ferramentas tecnológicas para aprender a se comunicar em rede. Houve uma evidente motivação e mais envolvimento nas atividades propostas, criando uma maior competência para o trabalho em equipe, resgatando até alunos desmotivados e tidos como problemas. Podemos elencar também como resultados positivos a reflexão dos alunos sobre sua prática, maior autonomia e comprometimento na realização das atividades.

Quais as expectativas para a próxima etapa?
A expectativa para a próxima etapa é divulgar o projeto pela América Latina, ganhando novas parcerias de trabalho e novos contatos. Também desejamos conhecer novas experiências inovadoras, das diferentes realidades do nosso continente, para que possamos enriquecer nossas práticas pedagógicas e nos integrar aos demais países. Obviamente estamos determinadas a defender com muita propriedade o nosso projeto para sairmos vencedoras e levá-lo ao outro continente, e atingirmos com nossas idéias grande parte do planeta, mostrando que por meio da internet e das redes colaborativas que ela possibilita, o espaço de aprendizagem da sala de aula é do tamanho do mundo.

Participantes:
Marise Brandão Martins – Barra do Piraí – RJ
Escola Estadual Dr. Álvaro Rocha
Professora de Atividades Integradas (português, matemática, história, geografia, ciências e artes)
Marli Fiorentin
Colégio Estadual Pe. Colbachini - Nova Bassano - RS.
Professora de português no ensino fundamental


Por Adriana de Souza
Fotos: Paulo Pepe/ Divulgação

 

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