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É domingo, e o paulistano Márcio Diego de Lima Trindade é aguardado com ansiedade por uma turma de sete jovens portadores de deficiência auditiva que acompanham suas aulas de Informática com toda a atenção. Nenhum deles está mau-humorado por ter que acordar cedo em pleno fim-de-semana. Pelo contrário! A animação é a palavra de ordem no laboratório.
As esperadas aulas acontecem durante o Projeto Escola da Família (leia mais no Box abaixo) no colégio onde Márcio estudou até o terceiro ano do ensino médio, Escola Estadual Loureiro Junior, em São Paulo (SP). Foi lá que ele participou do Programa Aluno Monitor , responsável por seu desenvolvimento técnico e por suas habilidades com as TICs - tecnologias da informação e comunicação.
A idéia de dar aulas para este público surgiu quando Márcio conheceu a amiga Adriana Vanancino, filha e neta de deficientes auditivos. Conversando com Adriana, Márcio percebeu que seria uma ótima idéia ajudar pessoas com necessidades especiais a adentrar no universo da tecnologia.
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"O que me chamou atenção foi a vontade destes jovens de aprender Informática. A partir daí surgiu a idéia de fazer um curso voltado para esse público em especial", lembra Márcio, de 18 anos, o orgulhoso professor.
Os próximos passos foram montar o curso e convidar os alunos, que aceitaram prontamente o desafio.
O projeto piloto
Graças ao conhecimento de Libras - sigla da Língua Brasileira de Sinais, línguas naturais das comunidades surdas – que sua amiga Adriana possui e o material didático para as aulas de informática, cedido pela escola S.O.S. Computadores da unidade do Tatuapé, foi possível montar uma turma piloto.
"As aulas são ministradas com duas horas e meia de explicação do conteúdo e diversos exercícios para memorização. A Adriana conhece bem o procedimento de comunicação, então eu preparo a aula e ela me ajuda como uma espécie de tradutora. Até agora estamos obtendo um ótimo progresso", relata Márcio.
"O Márcio teve a sensibilidade de perceber o quanto é diferente a compreensão do deficiente auditivo. As aulas tomam mais tempo, pois é necessária a repetição dos exercícios para compreensão de todos. É gratificante, acima de tudo quando conseguimos alcançar o resultado" conta a colega Adriana Venancino.
A didática do curso funciona com revisões periódicas dos assuntos já estudados e tópicos novos ao final de cada módulo (Windows, Word, Excel, Internet) com avaliação dos conhecimentos de cada um dos programas.
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Cada aluno utiliza um computador, o que agiliza a aprendizagem dos estudantes.
Ainda em fase piloto, a previsão é que a primeira turma termine em novembro, quando serão feitos os devidos ajustes para o início de um novo grupo.
Paixão pelo voluntariado
Para Márcio, participar do projeto com os deficientes auditivos é o "grande projeto de sua vida".
"Esta era uma realidade muito distante de mim. Hoje, sinto que aprendo mais a cada dia com eles. É muito bom poder ter esta experiência", afirma ele, que cursa o segundo semestre do curso de Sistemas da Informação da Faculdade Carlos Drummond de Andrade.
Márcio começou como voluntário no Projeto Escola da Família em agosto de 2004 e agora ganhou uma bolsa integral para seu estudo atual.
"Espero que nosso projeto continue com força total, pois é muito gratificante perceber a evolução diária de nossos alunos", conclui.
Este parece ser um grande exemplo da seqüência de responsabilidade social iniciada no Programa Aluno Monitor, a ser repetido por todos nós.
Reportagem: Anelise Csapo
Imagens: Divulgação