
Na Escola Estadual Tobias Barreto, localizada na vila de Roçadinho, em Catende (PE), o Programa Aluno Monitor é o combustível de uma nova aventura vivida pelos alunos, aliada à vontade de aprender e trocar conhecimentos.
Com alunos no nível avançado do programa, a escola, que se encontra na zona rural, vive uma verdadeira revolução. "Quando chega o fim de semana, eles pedem aos professores que se locomovam até a escola. Esses jovens chegam até a trocar a quadra de futebol pelo computador", revela a diretora adjunta da escola, Niedja Lucia Tomé.
Entre os 700 alunos que estudam na Escola Estadual Tobias Barreto, 25 são monitores, apesar do pequeno número de máquinas – são apenas 8 computadores. O entusiasmo dos jovens foi tão grande que muitos superaram as dificuldades iniciais e mostram que já dominam o assunto.
"Muitos não sabiam nem o que era um PC. Para lhes apresentar o computador, cada turno tinha um dia da semana para ir aprendendo desde como ligar e desligar até chegar no uso efetivo, quando se encontravam aptos para nos auxiliarem com o aprendizado adquirido durante o programa", conta Niedja.
Segundo Marci Reinaldo, coordenadora do laboratório de Informática da instituição, o progresso dos alunos é notável.
"A experiência no curso acrescentou conhecimento aos meninos, que melhoraram muito nas competências e habilidades do conteúdo curricular", afirma a professora, que realiza projetos escolares - como uso de Power Point para apresentação de trabalhos em sala de aula - junto com os monitores e professores.
Encanto pelo computador
A partir de julho e com a entrada do inverno, a Usina Catende, onde trabalham a maioria dos pais dos alunos da escola, pára de moer cana-de-açúcar, devido às condições climáticas desfavoráveis.
Com isso, muitos trabalhadores se deslocam para outros municípios em busca de trabalho. Nem isso foi capaz de desmotivar os alunos, que, em outras épocas, teriam partido com os pais.
Mas a inserção dessa novidade encantou os alunos, que querem desfrutar do computador até mesmo no mês de férias.
"É muito interessante o ganho em termos de comunicação para os alunos, eles estão acostumados com pouca interatividade, e acabaram aprendendo a se expressar melhor graças ao incentivo do uso de novas tecnologias desconhecidas até então", observa a diretora.
É o caso de Edinaldo Cavalcanti, 17 anos, aluno do 3º ano do ensino médio. Até participar do Programa Aluno Monitor, o jovem era tão tímido que mal conversava com os colegas. Agora é difícil fazê-lo parar de falar. "Estou entusiasmado de ver que não melhorei somente meu conhecimento em informática, mas também me tornei uma pessoa muito mais sociável", comenta.
Por todos esses motivos, os gestores da escola se emocionam ao contar que esses mesmos alunos que nunca tinham visto um computador de perto estão lhes ensinando informática, auxiliando os colegas e professores e trazendo novas oportunidades para a vida.
"O Programa Aluno Monitor ampliou meu conhecimento, e me ajudou a ter uma visão melhor do mundo da informática, me preparando até mesmo para o mercado de trabalho. Criei mais segurança no meu potencial como aluno e futuro profissional", conta Richard Oliveira, aluno do 2º ano do ensino médio.
Perto de lá
No município de Palmares - próximo à Roçadinho - fica a Escola Estadual Pedro Afonso de Medeiros. Essa pequena escola já conta com 10 alunos monitores em fase de capacitação.
"Poderia ter até mais do que 10 vagas, pois certamente teria candidato para aluno monitor aqui na escola" relata a diretora, Wildes Lucio de Carvalho Faria.
O computador em si já era um forte atrativo para os alunos, mas com a chegada da internet e sua interação com os conteúdos pedagógicos, a tecnologia da informação ficou ainda mais interessante.
"O curso expande a questão do uso da tecnologia como criadora de nova visão do mundo. O futuro do aluno monitor é ser tutor e repassar seu conhecimento, colaborando assim com o sentido de cidadania" observa a diretora.
"A informatização presente em nosso meio, de forma mútua e prazerosa, nos auxilia e nos encoraja na mais inovadora conquista da comunicação que já presenciamos. Com a expansão e o domínio tecnológico, podemos dizer que ganhamos um amigo e um aliado na Era das Comunicações", relata André Gustavo Mendes da Silva, de 17 anos, do 2º ano do ensino médio.
Pelo jeito, a conexão entre a zona rural e a zona eletrônica já acontece. É o início de uma nova realidade na tecnologia – na qual todos só têm a ganhar.
Reportagem: Anelise Csapo
Fotos: arquivo pessoal