Um estalo para a vidaPublicado em: 28 de Dezembro de 2004 | Atualizado em: 28 de Dezembro de 2004 ![]() Um computador pode transformar a vida de uma pessoa? No caso de José Eduardo da Silva Alves, de 19 anos, a resposta é sim. Brincadeiras fora de hora, notas baixas... José Eduardo, estudante de Guarabira, na Paraíba, costumava deixar os professores de cabelos em pé. Os estudos estavam em segundo plano e ele chegou a ser reprovado duas vezes. Até que, motivado pelo programa Microsoft Aluno Monitor o jovem resolveu mudar de atitude. Atualmente, José Eduardo estuda no 2o ano do Ensino Médio da Escola Estadual Monsenhor Emiliano de Cristo, mais conhecida como "Polivalente". A informática foi descoberta por Eduardo em 2002. Mas foi a partir da sua participação na primeira atividade do programa que ele descobriu que era bom participar da escola e interagir com professores e alunos. O interesse do jovem logo chamou a atenção dos demais alunos e do professor dinamizador Antônio Gomes, responsável por orientar e sugerir atividades aos alunos monitores. "O Eduardo se mostrou, durante todo o programa, muito responsável. Houve uma grande melhora no desempenho escolar dele como um todo". Com todas as disciplinas fechadas no terceiro bimestre, José Eduardo não quer parar de estudar. "É muito desagradável ficar com nota abaixo da média no boletim". Agenda completa As atividades como aluno monitor preenchem o dia do estudante. Pela manhã, José Eduardo aproveita o intervalo entre as aulas para abrir a sala de informática e prestar atendimento aos alunos. "Antes do programa, a sala nunca ficava aberta. Agora, faço questão de estar lá sempre que sobra um tempinho livre, no intervalo das aulas...", conta o jovem, que finalizou os últimos conteúdos do programa Aluno Monitor em novembro de 2004. À tarde, nada de folga. Depois de almoçar e fazer a lição em casa, ele retorna ao laboratório de informática e auxilia os colegas até o final do dia. Aos sábados e domingos, a escola abre as portas para a comunidade e lá está José Eduardo pronto para dar aulas de informática para alunos "de 8 a 80 anos". O aluno monitor ensina comandos de Word, Excel, PowerPoint, e aproveita para apresentar a internet aos pupilos. José Eduardo lembra que, no início do programa Aluno Monitor, teve dificuldades para se familiarizar com a world wide web: "Não conhecia direito, mas o professor Antônio Gomes me deu muitas dicas e agora já posso dizer que sou internauta", diz. Sem computador em casa José Eduardo é o caçula dos dez irmãos e o único que sabe mexer com computadores. "Meu pai reclama que eu não paro mais em casa nem de fim de semana. Mas ele fala em tom de brincadeira, porque sabe que eu estou fazendo isso para ter um futuro melhor." Sem computador em casa, Eduardo procura introduzir o sobrinho Maxsuel Amaro da Silva Alves no mundo da informática, na própria escola. Maxsuel, de 13 anos, não tem queixas do tio-professor. "Está sendo muito bom aprender com meu tio. Já sei até mandar e-mail para os meus amigos", comemora. Horas vagas Algumas características de José Eduardo não mudaram, apesar de o jovem ter se tornado mais responsável. Ele continua sendo aquele garoto brincalhão e extrovertido de sempre. Porém, tudo na hora certa. Nas horas vagas, o jovem gosta de jogar futebol com os amigos. Como bom monitor, porém, não descarta ficar em casa lendo apostilas e pensando em outras maneiras de passar o conteúdo de informática aos colegas. Faculdade? Pensa em estudar Ciências da Computação. "Mas teria que passar em alguma faculdade pública, porque não tenho condições de pagar para estudar." E conclui: "Nem que eu tenha que tentar uma, duas, três vezes, vou conseguir entrar e realizar meu sonho". Quem o viu, quem o vê. Para quem antes era famoso por ser o bagunceiro da turma, José Eduardo tornou-se um exemplo de dedicação. |