A coordenadora estadual do Proinfo da Paraíba, Maria do Socorro Gusmão, de 42 anos, acredita que os computadores estão ali para serem usados e não para “pegar poeira”. Por isso, os alunos das escolas públicas da Paraíba que fazem parte da iniciativa Parceiros na Aprendizagem da Microsoft podem usar e abusar das máquinas. Ou seja, desde que tomem cuidado com o equipamento, vale tudo.
Desde dezembro de 2003, quando a Paraíba assinou o convênio para implantar o Programa Aluno Monitor, dezenas de escolas estaduais e municipais têm preparado professores e alunos para gerenciar as tecnologias e transferir conhecimento para os demais colegas.
Na entrevista a seguir, Maria do Socorro Gusmão traça um panorama da aplicação das novas tecnologias nas escolas do Estado e os objetivos do Programa.
O governador do Estado estava presente no lançamento da iniciativa Parceiros na Aprendizagem da Microsoft, em Seattle (EUA), e se interessou pelo projeto. Em dezembro de 2003 foi assinada a parceria. Em janeiro de 2004 realizou-se a capacitação de alunos, professores e diretores de 92 escolas. Em abril aconteceram as oficinas de iniciação ao Programa Aluno Monitor, que atendeu a 52 escolas estaduais e 40 municipais.
Das 1.200 escolas estaduais da Paraíba, apenas 50 possuem laboratórios de informática. Das 5.244 escolas municipais, existem 34 laboratórios doados pelo Proinfo. Muitos outros são construídos através de recursos próprios. Grande parte desses laboratórios não têm acesso à internet.
Atualmente, a tecnologia está presente em todos os lugares: no caixa do supermercado, no cartão de crédito, no banco eletrônico. Para as comunidades menos privilegiadas, a escola é o local em que podem ter acesso mais fácil a essa tecnologia. Daí a importância de disponibilizá-la onde as pessoas mais precisam.
Em Itaporanga encontramos o laboratório de informática fechado. Ao abrir me deparei com computadores empoeirados pela falta de uso. Uma menina da educação infantil, de 4 anos, me olhou e perguntou: “Tia posso ajudar você a arrumar a sala de informática”.
Após essa visita iniciamos o processo de formação dos professores para o uso das tecnologias e o Programa Aluno Monitor veio contribuir para dinamização da utilização desse laboratório.
Em Guarabira está sendo ministrado, aos sábados, cursos de iniciação em informática básica para a comunidade. Em outras escolas já se observam iniciativas semelhantes. Em João Pessoa, dez monitores voluntários, que foram beneficiados com a participação do curso Aluno Monitor, estão repassando os conhecimentos adquiridos para mais 200 alunos em cursos aos sábados no programa de Inclusão Digital.
O objetivo é formar até o final do ano 256 alunos monitores, que representam a abrangência dos 4 NTE (Núcleos Técnico Pedagógicos) do Estado: João Pessoa, Campina Grande, Patos e Cajazeiras.
Os alunos monitores têm a incumbência de cuidar dos laboratórios das suas escolas e apoiar as próximas turmas. Além disso, a Secretaria de Ensino está designando professores para serem dinamizadores locais, acompanhando o processo de aprendizagem dos alunos.
Outro objetivo é, a partir do programa, atingir a auto-suficiência, para que a escola possa “caminhar com as próprias pernas
Nada vai mudar a escola se as pessoas não o fizerem. Elas precisam gostar de trabalhar em grupo, de servir ao outro, de lidar com as tecnologias. A própria comunidade escolar deve enxergar a tecnologia como um meio de abrir caminhos para as aptidões que cada um possui.
Nesse sentido o Programa Aluno Monitor traz o acesso à informação e tecnologia. O aluno do interior dispõe da mesma possibilidade do aluno da capital, proporcionando condições iguais pela busca pelo conhecimento.