Estimulando a criação de uma teia de conhecimento

Publicado em: 10 de Outubro de 2007


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Formar educadores e gestores para o uso crítico das tecnologias na administração dos processos educativos e construir o hábito da utilização dessas técnicas como apoio pedagógico envolvendo profissionais da educação e toda a comunidade escolar. Esse é o principal objetivo de uma das equipes que venceu o Prêmio Microsoft Educadores Inovadores Brasil – 2007 com seu projeto Capacitação e uso de Tecnologias por Gestores Educacionais, educadores e alunos da escola pública em Betim, na categoria Gestão Escolar e Tecnologias.

Checando todos os detalhes. O projeto contempla a formação de gestores (diretores, vice-diretores e coordenação pedagógica) e educadores, para uso de tecnologias em momentos diferenciados e significativos do processo de ensino e aprendizagem. Para sua realização em escolas deve haver um processo de desenvolvimento profissional e formação de cidadania com o suporte e apoio dos recursos tecnológicos da escola e do NTE (Núcleo de Tecnologia Educacional) de Betim, integrando equipes parceiras de outras secretarias e setores da administração que abrange, toda a comunidade escolar de escolas municipais de Betim-MG.

“Na medida em que a gente percebeu que a tecnologia hoje é uma realidade, ela tinha que ser incorporada de fato dentro das Secretarias de Educação. Rompeu-se este estigma de que é uma coisa complicada. Na verdade, é muito legal a gente sentir o resultado e acreditar que vale a pena” – conta Rosana, membro da equipe.

As atividades foram realizadas por meio de encontros de formação presenciais e à distância, e oficinas com os envolvidos. O trabalho divide-se na formação dos gestores e professores no desenvolvimento de projetos que serão realizados nas escolas. A partir daí, cada uma dessas escolas elabora e desenvolve seu próprio projeto. Por meio de uma rede de conhecimento foi possível envolver alunos e professores de diferentes escolas.

A idealização deste trabalho se deu a partir da capacitação no Programa Microsoft Gestão Escolar e Tecnologias realizado em Betim, no primeiro semestre de 2004 em parceria com a PUC - SP.

Ao proporcionar o acesso às informações, textos e dados aos alunos e educadores há satisfação deles mesmos e de suas famílias quanto à possibilidade da inclusão e melhoria da auto-estima proporcionada pelas atividades realizadas nas escolas e pelas publicações via Internet, aumentando as possibilidades de comunicação, acesso a diversidade de pesquisas e materiais específicos.


ENTREVISTA

“É preciso acreditar no potencial da própria ação educativa e identificar na prática da escola aquilo que é viável” – Cleusa Maria.Ensinar os alunos para o uso das novas tecnologias é um grande desafio. Quais são os empecilhos para fazer a inclusão digital de gestores e educadores?

Primeiramente, sensibilizar a todos os gestores da SEMED (Secretaria Municipal de Educação) e instituições escolares, rompendo com o estigma em relação à otimização da TIC (Tecnologias da informação e da comunicação) e formar uma consciência de uso das ferramentas tecnológicas para a conexão de novos conhecimentos e informações com os saberes acumulados para a criação de uma cultura de colaboração e rede de conhecimentos e informações. Quando isso for incorporado de fato a estes gestores, terá mais envolvimento, busca de equipamentos e acesso à Internet em todas as escolas. A partir daí haverá o suporte competente e sedutor para o desenvolvimento pedagógico.

Quais são os ganhos para a escola quando a comunidade é participativa?

Aprendizagem, motivação, interação. As escolas estão produzindo mais blogs, álbuns digitais, publicações na web, comunidades no orkut e grupos virtuais. É ainda inicial, mas chegaremos aos sites e em mais escolas. A cada projeto, maior envolvimento da comunidade, nem sempre relacionada à tecnologia. No projeto CELVA, por exemplo, a interação entre alunos de diferentes escolas, com apresentação de grupos de teatro e a comunidade local mais presente, principalmente nas reciclagens de lixo, reflete na maior presença nas reuniões pedagógicas onde as coordenações apresentam os trabalhos produzidos. Os alunos gostam de mostrar seus feitos. Educadores também.

Houve mudanças significativas para as escolas envolvidas no projeto? Quais?

Sim! Porque houve mais envolvimento, integração, busca de equipamentos, parcerias, produções, pesquisas e foi reconhecida como uma instituição inovadora dentre muitas outras.

“A inclusão digital é direito e todos devem ter acesso ao conhecimento e à cultura” - Rosana InácioO projeto abrange cerca de 2 mil educadores divididos em subprojetos nas mais de 37 escolas participantes. Como foi possível alcançar essas proporções?

Devido à variedade de projetos. Usar o que a escola já desenvolve e incluir tecnologia, e fazer com que a formação tenha também um caráter de produção e desenvolvimento de projeto e de aprendizagem na escola é muito mais produtivo. Temos trabalhado para valorizar a presença das tecnologias, assim levantamos como ponto de reflexão o destino que os educadores da escola decidem dar ao recurso potencial que possuem.
Por meio também de mudanças. Diretores e educadores demandam cada vez mais a equipe para apoio em projetos locais, em planejamentos com professores. As escolas se comunicam entre si, via grupos virtuais, professores trocam experiências publicadas nos seus blogs com alunos e outros. Há integração por meio de mudanças.

Como a participação no Programa Gestão Escolar e Tecnologias contribuiu para a realização do projeto?

Como ampliação de visão, reflexão sobre a prática, sugestão de interação, de monitoramento e suporte de formação on line que nos motiva a implantar um ambiente que está sendo inaugurado, com todas as formações propostas para todas as escolas e sistemas operacionais instalados! Os textos e atividades estudadas e discutidas no curso têm sido referência para nosso trabalho também.


Participantes: Cleusa Maria Moreira e Rosana Inácio
Reportagem: Joana Mendes
Fotos: Ali Karakas e Paulo Pepe


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