
Equipe ÉcologixEles imaginaram, idealizaram idéias e soluções, mas foram muito além, colocando seus pensamentos em prática. E deu certo! A Imagine Cup 2008, principal competição da tecnologia mundial, elegeu seus vencedores. Dentre eles, duas equipes são brasileiras: Mother Gaia Studio, formada pelos estudantes Guilherme Oliveira Campos, Túlio Marques Soria, Helena van Kampen e Rafael Fantini da Costa, todos da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp/Bauru), e Écologix, formada pelos estudantes Carlos Eduardo Rodrigues (UFPE), Renato Viana (UFPE), Roberto Sonnino (USP) e Eduardo Sonnino (Unicamp) foram vitoriosos na categoria Desenvolvimento de Jogos e com o prêmio de projeto de Interoperabilidade, respectivamente.
O anúncio foi feito pela Microsoft no início deste mês, em 8 de julho, no museu do Louvre em Paris, França. A equipe Mother Gaia Studio conquistou o primeiro lugar com o projeto City Rain, jogo que reúne elementos de clássicos do puzzle - como o tetris - e simuladores de cidades - como o conhecido SimCity, e permite que jogadores construam sua própria cidade, sempre respeitando a questão ambiental, ou ainda administrar os locais com problemas que precisam ser sanados, em vários níveis de dificuldade.
Segundo Renato Fantini, membro da Mother Gaia, a idéia do City Rain era ser diferente de todos os outros jogos existentes. “Além disso, queríamos que ele ensinasse aos jogadores noções de meio ambiente e sustentabilidade”, conta.
A equipe da Unesp começou a trabalhar na idéia em agosto do ano passado e só parou no prazo final da entrega. Renato já havia participado da competição outras vezes, mas todos os outros integrantes são “marinheiros de primeira viagem”. Dessa experiência, muito aprendizado foi trazido. “Além do conhecimento técnico, com a Imagine Cup pude aprender como pessoas diferentes, que é o caso da nossa equipe, podem trabalhar em harmonia e criar um grande projeto”.
Além do destaque, Mother Gaia Studio conquistou um prêmio de US$ 25.000. “Vamos investir para desenvolver nosso próximo jogo”, diz Rafael, integrante do grupo. A versão do City Rain apresentada em Paris está disponível para download gratuito no site http://www.cityra.in.
Já a Écologix conquistou o prêmio de projeto de Interoperabilidade, oferecido em reconhecimento à solução que melhor utiliza softwares para conectar pessoas, dados ou sistemas para atender às necessidades reais dos cidadãos. Com o projeto Ecologger, uma solução que mescla rede social e ativismo ambiental, ele propuseram soluções para preservar o meio ambiente. O sistema permite a interação e compartilhamento de dados desde a detecção do problema até o histórico das soluções encontradas.
A equipe de estudantes concorreu na categoria Projeto de Software, a mais disputada de todas. Aqui no Brasil, derrotaram concorrentes e foram à Paris, onde 60 países disputavam boas colocações. Após apresentações, chegaram à finalíssima: seis equipes concorriam. No entanto, o título ficou com a Austrália, seguida por Eslováquia e Hungria.
Na premiação especial de interoperabilidade, eles conquistaram o segundo lugar, logo atrás da Índia. O grupo recebeu US$ 10.000 em premiação e muita experiência, não só em Paris, mas ao longo dos anos. Três dos membros da Écologix são veteranos de Imagine Cup.
Carlos Eduardo Rodrigues já está em sua terceira Imagine Cup. Em 2007 esteve na Coréia e em 2006 foi para a Índia. “A competição mudou minha vida em vários sentidos. Conheci pessoas que eu nunca teria conhecido se não tivesse participado. Tive a experiência de compartilhar com outras culturas, diferentes pontos de vista e aprender a vender uma idéia. A competição nunca acaba na data final”, compartilha o estudante.
Equipe Mother GaiaChegar à final da Imagine Cup não é tarefa fácil. Só este ano, mais de 200 mil pessoas se inscreveram na competição em todas as partes do mundo. Destes, foram selecionados 370 estudantes de 124 equipes que viajaram à Paris com o objetivo de representar 61 países nas categorias Projeto de Software, Sistemas Embarcados, Desenvolvimento de Jogos, “Projeto Hoshimi”, IT Challenge, Algoritmo, Fotografia, Filme de Curta-Metragem e Design de Interfaces.
Dentre os que podem se considerar vencedores por terem chegado à final, está o jovem Thiago Cabral Valverde, com apenas 17 anos, único estudante do Ensino Médio entre os seis finalistas na categoria desafio de Infra-Estrutura. Thiago disputou com 16 mil inscritos mundialmente.
A outra equipe que foi à França é a Desconstruindo, que concorreu na categoria Sistemas Embarcados e ficou entre os 15 projetos semifinalistas. O time é formado pelos estudantes Rafael Gonçalves Gama (Universidade Gama Filho – RJ), Hugo da Silva Nogueira (Universidade Estácio de Sá – RJ) e Fernando Ferreira de França (Universidade Estácio de Sá – RJ).
A próxima edição da Imagine Cup será realizada no Cairo, no Egito, e o tema é “Imagine um mundo em que a tecnologia ajude a resolver os mais difíceis problemas que enfrentamos”. Os estudantes terão de criar soluções alinhadas com uma das Metas de Desenvolvimento do Milênio, que variam de mitigar a pobreza extrema a conter a expansão do HIV ou oferecer uma educação básica universal. As inscrições para a próxima Imagine Cup já estão abertas no site http://www.imaginecup.com.
Os vencedores deste ano dão suas dicas. Para Carlos Renato, da Écologix, competir demanda tempo, mas as coisas boas que a Imagine Cup traz valem a pena. “Não se pode desistir nunca. Se você quer participar, sempre há o próximo ano”. E completa: “Na hora de definir o projeto, não se influencia por conhecer ou não determinada tecnologia. Experimente e seja inovador”.
Renato Fantini, da Mother Gaia, também aconselha. “Uma pessoa que eu conheci na final me disse algo que vale a pena compartilhar: ‘A Imagine Cup é uma competição sem perdedores’. Mesmo que você não chegue à final, ou não ganhe nenhum prêmio, se você realmente se dedicou ao projeto, vai ganhar algo muito maior: vai ganhar conhecimento”, finaliza o estudante.
1º lugar: Brasil — Equipe: Mother Gaia Studio
2º lugar: Bélgica — Equipe: Drunk Puppy
3º lugar: Coréia do Sul — Equipe: Gomz
1º lugar: Austrália — Equipe: Soak
2º lugar: Eslováquia — Equipe: Housekeepers
3º lugar: Hungria — Equipe: Digitalmania
1º lugar: Cingapura — Equipe: Trailblazer
2º lugar: Irlanda — Equipe: Acid Rain/ China — Equipe: Wing
3º lugar: Polônia — Equipe: Aero@Put
1º lugar: Rússia — Equipe: Reddevils
2º lugar: China — Equipe: Zephyr
3º lugar: Ucrânia — Equipe: Ucrânia
1º lugar: França — Jean-Benoit Paux
2º lugar: Romênia — Ilie Cosmin Kiorel
3º lugar: China — Yan Liu
1º lugar: Ucrânia — Roman Koshlyak
2º lugar: Hungria — Szilveszter Szebeni
3º lugar: Japão — Naohiro Tahkahashi
1º lugar: EUA — Equipe: Provisio
2º lugar: Áustria — Equipe: Team Áustria
3º lugar: Áustria — Equipe: Woodoo Delirium
1º lugar: Coréia do Sul — Equipe: Neip
2º lugar: México — Equipe: Lavaland
3º lugar: Canadá — Equipe: Kobotree
1º lugar: EUA — Equipe: IU Ecovis
2º lugar: Canadá — Equipe: Greenet
3º lugar: França — Equipe: Edelweiss
Além dos prêmios das categorias, quatro prêmios de reconhecimento foram oferecidos:
• Inovação Rural: Indonésia — Equipe: Antaruka
• Tecnologia Acessível: EUA — Equipe: WebAnywhere/ França — Equipe: Jivad
• Interoperabilidade:
1º lugar: Índia — Equipe: Skan
2º lugar: Brasil — Equipe: Ecologger
3º lugar: Polônia — Equipe: Together
• Windows Live: Espanha — Equipe: Windows Drive
Reportagem: Adriana de Souza
Fotos: Divulgação