Uma aposta em jovens talentos

Publicado em: 30 de Março de 2007


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Uma das formas mais educativas de divulgar o conhecimento científico são as feiras, que envolvem troca de conhecimentos entre os que visitam os estandes e os estudantes que fazem seus experimentos e procuram explicá-los, da maneira mais didática possível. É por esse motivo que a Microsoft apóia a FEBRACE, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia - Criatividade e Inovação.

Em sua quinta edição, o evento foi realizado no período de 13 a 17 de março de 2007, em São Paulo (SP), na Escola Politécnica da USP – Campus Butantã.

Uma iniciativa da LSI, Laboratório de Sistemas Integráveis, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a feira foi o encontro de diversos projetos científicos produzidos por estudantes desde a 8ª série do Ensino Fundamental até Ensino Médio e Técnico das escolas públicas e particulares. Os projetos têm enfoque nas categorias: ciências exatas e da Terra, ciências agrárias, biológicas, humanas, da saúde e sociais aplicadas, além de Engenharias.

Coordenadora geral da FEBRACE, a professora Roseli de Deus Lopes, docente do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da USP e vice-diretora da Estação Ciência, afirma que “é cada vez mais evidente que o fundamental é aprender a aprender e aprender sempre. Com isso, é imprescindível criar espaços em que os estudantes descubram suas habilidades e desenvolvam outras”. Roseli acredita ainda que as atividades de aprendizagem baseadas em projetos como os propostos pela Feira é um caminho muito rico em conhecimento.

Cardápio eletrônico: Facilidade para fazer seus pedidos nos restaurantes.

Os alunos interessados em participar desse concurso enviaram seus projetos para uma pré-aprovação. Ao todo foram enviados 947 trabalhos de 1626 estudantes de todos os estados brasileiros, inclusive o Distrito Federal, mas somente 216 finalistas expuseram suas invenções na Feira. Esses números duplicaram desde a primeira edição da FEBRACE, em 2003.

Além dos prêmios da FEBRACE, algumas empresas concederam benefícios aos participantes da Feira de acordo com suas especialidades. Os jovens ganharam assinaturas de revistas, notebooks, microscópio, viagens, livros, pen-drives, MP3, prêmios em dinheiro e vagas de estágios nacionais e internacionais.

Microsoft estimulando os jovens

Uma das empresas que participaram da premiação dos jovens cientistas foi a Microsoft, que acredita no incentivo ao desenvolvimento do potencial dos alunos e professores. Rubem Saldanha, coordenador do IT Academy Center, centro de pesquisa e capacitação da Microsoft localizado na Fundação Bradesco, em Campinas (SP), junto ao colega Demerval Bruzzi, consultor Microsoft, foi um dos avaliadores que selecionaram os projetos premiados pela Microsoft Brasil e elogiou o nível dos trabalhos apresentados neste ano.

“São crianças de 16 ou 17 anos conversando sobre energia reversa, Max Weber e Karl Marx. Não tenho dúvidas de que eles já são pesquisadores”.

Alguns critérios básicos foram utilizados para a avaliação dos trabalhos: inovação em tecnologia voltada para a educação, além dos critérios propostos pela própria feira, como clareza na apresentação, domínio do assunto, diário de bordo, entre outros.

Pirataria em terra firme: o porquê do constante crescimento do consumo de produtos piratas.

Adriana Manetti, gerente do programa educacional da Microsoft no Brasil, marcou presença e premiou os três projetos selecionados pela Microsoft: “Cardápio Eletrônico”, “A pirataria em terra firme: a aquisição de produtos falsificados como símbolo de inclusão social” e “Desenvolvimento de instrumentos de aprendizagem para a dislexia”. ”A Microsoft vem investindo muito no apoio ao desenvolvimento da educação nos últimos anos. Acreditamos que projetos como os apresentados na Febrace sempre despertam algum talento que os próprios alunos desconhecem”, explica.

Vindos de João Pessoa (PB), o grupo que realizou o trabalho “Desenvolvimento de instrumentos de aprendizagem para a dislexia” acredita que elaborar esse projeto e levá-lo adiante pode ajudar os professores a entender melhor e saber lidar com esse distúrbio de aprendizagem de linguagem ministrando aulas dirigidas também aos alunos com dislexia.

A orientadora do projeto, Irany Silva de Souza, considera muito interessante receber um prêmio como o da Microsoft. “Quando cheguei à minha cidade todos me perguntaram qual era a minha colocação e eu respondi que eu tinha ganhado um prêmio muito maior: o reconhecimento do nosso esforço vindo de uma empresa como a Microsoft”. Apesar da alegria em ganhar o prêmio, Irany garante que ela e seus alunos não pensavam nisso, mas sim no objetivo de ajudar os professores e crianças disléxicas.

Cientistas do futuro

“Para mim é muito importante ganhar um prêmio como este. Na verdade a pirataria é um tema bem atual e acho que a Microsoft dando apoio a um estudo com este tema, tem tudo pra fazer essa análise desenvolver ainda mais”, comenta Ronny Berger, um dos alunos premiados pela Microsoft, cujo tema era “Pirataria em terra firme: a aquisição de produtos falsificados como símbolo da inclusão social”.

– Instrumentos de aprendizagem para a dislexia: maior eficiência no ensino de disléxicos.

Ver os jovens de diversos lugares do Brasil se divertindo, trocando conhecimento, transpirando alegria e orgulho por ter seus trabalhos expostos é, sem dúvida, muito gratificante tanto para quem organiza o evento, quanto para os orientadores e co-orientadores que vêem o crescimento desses estudantes. “Eu tenho certeza que a FEBRACE traz uma influência muito grande. O jovem que vem pra cá dificilmente volta pra sala de aula sendo o mesmo”, afirma Rosenilda de Souza Vilar, orientadora de três projetos vindos de Pernambuco e que receberam prêmio de diversas empresas ligadas aos assuntos dos trabalhos.

Apesar de se tratar de um concurso, o que prevaleceu foi o clima de confraternização entre os jovens e professores presentes. Palmas, música e até instrumentos musicais eram encontrados nas rodas de cantoria entre os grupos participantes, sem contar com a participação de uma parte integrante da bateria da Escola Politécnica da USP que animou o final da premiação.

Mais premiações

Durante o evento, os trabalhos foram observados e avaliados por especialistas professores universitários e estudantes de pós-graduação. Os nove trabalhos mais bem avaliados foram premiados e representarão o Brasil na International Science and Engineering Fair, (ISEF), organizada pela fabricante de computadores Intel, com mais de 40 países envolvidos. Esses grupos foram divulgados na cerimônia de premiação realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Os vencedores tiveram como prêmio passagem e hospedagem para a ISEF, que este ano será sediada em Albuquerque, Novo México (EUA) entre os dias 13 e 19 de maio.

Dentre os trabalhos vencedores estão: “Estudo de Macrófitas aquáticas para a redução do nível de eutrofização e de matais na água por meio de técnica biológica”, “Auxílio a deficientes visuais totais a partir de estímulos transcranianos”, “Troca de cargas elétricas entre o quartenário e amônio e fibra têxtil”, “Caracterização biomolecular de trichoderma SSP. Obtidos de diferentes sistemas de rotação de culturas”, “Sistema de identificação de sirenes para semáforos autônomo”, “Amphibis”, “Reciclagem de pneu”, “Sistema redutor do desperdício de água ou caixa redutora” e “Ação do Timol sobre o potencial de ação composto em nervo ciático de rato e seu estudo comparativo em relação à lidocaína”.

Além desses 9 projetos escolhidos, outros grupos foram presenteados devido às suas realizações, entre elas - Melhor Diário de Bordo, Melhor Relatório, Melhor Pôster e Melhor Estande. Todos os participantes da FEBRACE receberam um Certificado de participação, independente se foram premiados ou não.

Reportagem: Joana Mendes
Fotos: Arquivo pessoal


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