Ensino superior e e-learning: parceria promissora

Publicado em: 02 de Agosto de 2005 | Atualizado em: 02 de Agosto de 2005


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Quando o departamento de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) ofereceu um curso de Educação Ambiental à distância, em 2003, a professora responsável pela disciplina, Lenise Garcia, sabia que estava à frente de um desafio.

Como um dos precursores em e-learning em universidades brasileiras, o programa certamente enfrentaria preconceito de alunos e da própria classe acadêmica, acostumada com o ensino tradicional.

Isso, porém, não foi o suficiente para afastar os estudantes, que responderam à proposta com mais de 150 pedidos de matrícula, nem do corpo docente, que viu com otimismo a nova modalidade de ensino-aprendizagem.

Na entrevista a seguir, Lenise Garcia, também integrante do Fórum de Líderes Educacionais da Microsoft, fala sobre sua experiência e traça um panorama da educação à distância nos programas de graduação e pós-graduação no país.

Lenise admite que, apesar dos esforços na área, ainda há muito a ser explorado. "É muito importante que busquemos um crescimento em colaboração uns com os outros e que não tenhamos medo de experimentar", observa.

Confira a seguir a entrevista com a educadora.

Como professora de uma das primeiras disciplinas realizadas à distância pela Universidade de Brasília (UnB) - Educação Ambiental Sustentável - quais são os desafios e dificuldades que a senhora vem enfrentando?

Eu diria que temos dois tipos de desafios: os técnicos e os comportamentais. Na parte técnica, ainda há bastante a evoluir na área de ambientes virtuais de aprendizagem que facilitem realmente a interação.

No comportamental, temos que desenvolver, tanto os alunos como os professores, as atitudes e as competências adequadas para essa nova modalidade.

Outro desafio é a superação de preconceitos. Por exemplo, há alunos que se matriculam na disciplina pensando que terão pouco trabalho, que serão créditos adquiridos "de graça". Estes não demoram a perceber que estavam enganados e alguns desistem. Outros superam este pensamento inicial e passam a ter maior dedicação, obtendo um bom desempenho.

Como é feita a avaliação?

Parte da avaliação é feita à distância e parte é presencial. Para a avaliação à distância, levo em conta o desempenho do aluno nas discussões nos fóruns e suas anotações no diário. Há também o desenvolvimento de um trabalho em grupo, que é entregue escrito e é apresentado em seminário na última fase presencial.

Considero mais fácil avaliar o aluno à distância, especialmente quando se faz uso da aprendizagem colaborativa, que é o meu caso. A interação permanente é bem maior do que a que costuma ocorrer em disciplinas presenciais, sendo possível ter uma noção bastante precisa do desempenho do aluno, seus conhecimentos, potencialidades e dificuldades.

Qual deve ser a postura do aluno que realiza uma disciplina de graduação à distância?

Muito ativa e de protagonismo quanto à sua aprendizagem. Vou destacar dois aspectos fundamentais: primeiro, a organização do tempo. É preciso que se dedique tempo ao estudo e às várias atividades da disciplina. Como não há um horário definido, é preciso que o aluno se programe.

Outro ponto fundamental é a disposição para a troca de idéias com o grupo, quando se usa aprendizagem colaborativa. Aprender a debater, com fundamentação, sem "achismos" e com respeito à diversidade de opiniões, colaborando para a aprendizagem de todos.

Como a classe acadêmica está vendo este tipo de ensino?

Existe bastante diversidade, mas penso que cada vez mais os professores se abrem para a educação à distância. Está crescendo muito, também, o uso de ambientes de aprendizagem como apoio às disciplinas presenciais. O professor que começa a fazer isso vai gradualmente percebendo as potencialidades.

Quais cuidados os alunos devem ter ao escolher um programa de graduação à distância?

O primeiro passo é verificar como está o reconhecimento do curso pelo MEC, ou se está autorizado. Isso evita possíveis surpresas posteriores. Depois, verificar os antecedentes da instituição que está ofertando o curso, a sua qualidade.

Um aspecto muito importante é a tutoria, como se dá o acompanhamento ao aluno. Cursos sem tutor, ou com um tutor para cada 1.000 alunos não são cursos, são material disponível na rede, ou pacote de livros, ou CD-ROM. Todas essas coisas podem fazer parte de um curso, mas não ser "o curso" em si.

O aluno também precisa olhar para si mesmo, e perguntar-se se tem real interesse, disposição e tempo para fazer esse curso, sabendo que terá que se dedicar a ele, se for de qualidade, tanto como teria se fosse um curso tradicional.

O que falta para a plena utilização de disciplinas à distância em universidades brasileiras?

Ainda há preconceito, embora venha sendo gradualmente superado. Há também falta de um preparo adequado. Quase todos os que atuamos em educação à distância somos autodidatas ou tivemos um aprendizado real, mas informal, com a colaboração de outros.

Não penso que isso seja ruim, acho até que está ligado às características da própria educação à distância, ou das formas mais atuais de aprendizagem, menos ligadas a estruturas rígidas.

É muito importante também que troquemos experiências, que busquemos um crescimento em colaboração uns com os outros, que não tenhamos medo de experimentar e, com espírito acadêmico, submeter essas experiências ao estudo e à crítica.

Microsoft Brasil: contribuições para a educação à distância

Consciente da importância da troca de experiências na educação à distância, a Microsoft Brasil vem contribuindo com importantes programas educacionais e debates na área, buscando o crescimento pessoal e profissional de alunos e professores.

As iniciativas de sucesso incluem a parceria com o curso de pós-graduação em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, que resultou na criação do Programa Gestão Escolar e Tecnologias em 2004.

O programa, que auxilia gestores escolares no uso integrado das tecnologias da informação e comunicação (TICs), alterna fases presenciais e à distância e tem duração de quatro meses.

Também com etapas presenciais e à distância, o Programa Aprender em Parceria procura estabelecer um ambiente colaborativo entre professores, para que em pares possam desenvolver suas habilidades e aprimorar seus conhecimentos em tecnologia.

Outro destaque é o Programa Microsoft IT Academy que busca ajudar instituições que ofereçam cursos técnicos a se transformarem em referência na formação de profissionais de tecnologia. Por meio de assinaturas renováveis anualmente, alunos e professores têm a oportunidade de participar de treinamentos e certificados.

Além de desenvolver todos estes programas, a Microsoft procura fomentar debates sobre inovações da tecnologia educacional em universidades, apoiando e participando de congressos nacionais e internacionais.

Foto: Paulo Pepe


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