
“Vivemos um período fantástico. As pessoas querem aprender e isso deve ser incentivado nas empresas”. É assim que Roberto Carneiro, ex-ministro da Educação de Portugal e presidente da EduWeb SGPS, fundamenta sua palestra “Novo Conhecimento, Nova Aprendizagem e Criação de Valor”, dirigida a executivos e educadores especializados em tecnologia educacional, realizada em 30 de abril de 2005, em São Paulo.
Para explicar esta nova visão da aprendizagem, conhecida como “New Learning”, Carneiro diz que é preciso voltar décadas atrás, quando os profissionais eram capacitados sem que fosse necessário demonstrarem aptidão com os assuntos propostos.
O conceito coloca as tecnologias da informação e da comunicação - TICs - no centro de um processo no qual as novas cadeias e redes de valor representam a maior fonte de riqueza e competitividade de pessoas e organizações.
Com a globalização, algumas corporações perceberam que era essencial que as características pessoais dos profissionais fossem levadas em consideração. “É muito simples. As pessoas só retêm aquilo que faz sentido para elas”, argumentou. “Precisamos dos sonhos e das ambições para a renovação das empresas. Instituições velhas não aprendem, apenas repetem memórias”.
Para isso, o educador salienta que o aprendizado deve acontecer a toda hora, em qualquer lugar. “Hoje estamos o tempo todo conectados. Não há fronteiras para o que aprendemos. A tecnologia é nossa grande aliada nesta busca por conhecimento”, explica.
Personalização em destaque
A ênfase na aprendizagem com sentido para o indivíduo foi o foco da apresentação de Ana Teresa Ralston, gerente de Programas Educacionais da Microsoft.
Ana foi uma das convidadas para comentar a palestra de Carneiro, ao lado de Júlio Marques Alves, superintendente executivo de treinamento do Bradesco, Marcos Cavalcanti, consultor de empresas e Beth Accurso, coordenadora da Universidade Virtual da Rede Globo.
A gerente de Programas Educacionais da Microsoft passou um vídeo sobre o Programa Objetos da Aprendizagem desenvolvido pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Microsoft. O programa envolve escolas públicas paulistas na criação de animações interativas para complementar o ensino de matérias como Física e Química.
Com isso, os alunos se sentem parte do processo de ensino, dando significado para assuntos que, normalmente, são abstratos em sala de aula. Depois de prontos, os objetos são inseridos num repositório para que sejam reutilizadas por outras escolas.
“Qual deve ser o papel da escola na formação destes profissionais que buscam o aprendizado contínuo? Não deve ser de estimular as habilidades pessoais?”, questionou.
Importantes reflexões
O evento se estendeu até quase 13h. Cerca de 200 pessoas compareceram à palestra, realizada na sala de convenções do Gran Hotel Melià Mofarrej.
Ao finalizar o encontro, após ouvir os comentários e perguntas dos convidados e da platéia, Roberto Carneiro concluiu que o aprendizado faz parte de um “círculo virtuoso”, em que se alternam boas e más decisões aliadas às diferentes experiências diárias.
Reportagem: Vivian Ragazzi
Fotos: Beto Lucena