
Qual é o papel que a tecnologia exerce nas escolas no século XXI? Ela está sendo utilizada de modo eficaz ou não passa de um enfeite de luxo nas salas de informática?
Para tratar de questões como essas, conversamos com o Ph.D em Filosofia e educador Eduardo Chaves, de 61 anos, membro do International Advisory Council e do Fórum de Líderes Educacionais, ambos relativos a iniciativa “Parceiros na Aprendizagem” da Microsoft. Confira os tópicos da entrevista:
O professor não tem dúvidas de que o caminho para uma efetiva inclusão digital deve ser feito por meio da escola. Porém ele discute a maneira como a tecnologia é incorporada na vida dos estudantes.
“A tecnologia vem sendo introduzida na escola de forma conservadora, domesticada, o que apenas reforça o paradigma educacional tradicional, centrado na transmissão de informações disciplinares através do ensino do professor”, ressalta.
De acordo com ele, isso se dá porque as escolas ainda trazem na bagagem uma herança de conservadorismo, uma resistência dos educadores às inovações... “Até que esse paradigma seja substituído, o impacto da tecnologia na reinvenção da escola será pequeno”.
Muitas escolas afirmam que estão utilizando, sim, a tecnologia inserida nas disciplinas. Mas de uma forma equivocada, na opinião do educador. De acordo com ele, diversos estabelecimentos pensam que estão inovando quando usam um projetor de multimídia com slides de PowerPoint para substituir o quadro negro, quando usam textos em CD-ROMs para substituir livros impressos, e quando recomendam pesquisas na Internet em vez de na biblioteca.
“Este uso não é inovador nem criativo. Sou contra modelos muito organizados, estruturados e controlados de introdução da tecnologia na escola, segundo os quais primeiro é preciso treinar os professores para que, só depois, sob a tutela dos professores, os alunos possam ter acesso a ela”, afirma.
Eduardo Chaves segue a teoria de que a base para o sucesso da inclusão digital nas escolas está em dar liberdade aos alunos para que possam usá-la como uma “ferramenta de aprendizagem”, e não de ensino. De que forma? “Selecionando as informações de seu interesse, no momento em que precisarem”, explica. O professor reitera que o acesso à tecnologia deve ser liberado aos alunos assim que ela se torna disponível na escola. “Com um mínimo de regras, que devem ser elaboradas pelos próprios alunos”, reforça.
Mesmo que ainda haja muito a evoluir no cenário educacional, o Ph.D em Filosofia é otimista e conclui que o papel da disseminação das novas tecnologias ainda pertence à escola. Mas sem dominação, deixando os alunos abertos e livres para o conhecimento do século XXI.
“Pela primeira vez há algo importante na escola que os alunos entendem e dominam melhor do que os professores. Esse fato apenas já é um fator desencadeador de mudanças muito importante”.
Educadores do mundo unidos pela aprendizagem