Olimpíada Paulista de Matemática: desafio e oportunidade para estudantes

Publicado em: 27 de Março de 2006


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Tornar a Matemática mais próxima da realidade dos estudantes e revelar os novos talentos na área. Estes são os objetivos da Olimpíada Paulista de Matemática, que já premiou e deu oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional para mais de 200 estudantes de escolas públicas e privadas de São Paulo.

Edmilson Motta

Idealizada em 1977 pelo professor Shigeo Watanabe, pesquisador e docente do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), a competição é patrocinada pela Microsoft Brasil e pelo Governo do Estado de São Paulo, entre outras instituições, e busca investir no aprimoramento do ensino da Matemática para os jovens.

“Esses alunos são muito inteligentes. Eles são importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do país”, acredita o professor Shigeo, que, aos 81 anos, não mede esforços para ajudar os estudantes a encontrarem seu caminho.

As inscrições para a edição da Olimpíada Paulista de Matemática começam no dia 01 de abril de 2006 e vão até 30 de junho, podendo ser realizadas pelo site http://www.opm.mat.br. A primeira fase acontece em 19 de agosto e a segunda, no dia 11 de novembro.

“A expectativa é de que 45 mil jovens paulistas se inscrevam nesta edição”, conta Pablo Ganassim, presidente da Olimpíada Paulista de Matemática. Além dos brasileiros, alunos de Portugal também participarão do evento.

Seleção de estudantes

Todas as escolas estaduais, municipais, federais e particulares do ensino fundamental e do ensino médio podem participar da Olimpíada Paulista de Matemática.

Os professores de Matemática dos estabelecimentos escolhem os alunos que devem participar da Olimpíada, que contém três tipos de provas: nível alfa, para alunos de quintas e sextas séries, nível beta, para os estudantes de sétimas e oitavas séries do ensino fundamental, e gama, dirigida a alunos de 1º e 2º ano do ensino médio.

Para incentivar os estudantes a participar da Olimpíada, os coordenadores organizam capacitações para os professores entenderem melhor do que se trata e motivarem seus alunos. Elisângela Silva do Amaral, professora de Matemática da Escola Estadual Maria Ferraz de Campos, de Itaquera, São Paulo (SP), adorou a iniciativa e não vê a hora de indicar alguns jovens.

“É uma atividade extracurricular que só vem ajudar os estudantes”, afirma a professora, acrescentando que a participação na Olimpíada Paulista de Matemática melhora não só o currículo dos alunos, mas também sua auto-estima.

Impacto social

Os primeiros colocados recebem bolsas de estudos para completar o ensino médio em boas escolas e prestar vestibulares em conceituadas universidades públicas, como USP e a Universidade do Estado de São Paulo (UNESP). Para muitos alunos carentes, esta pode ser a grande chance de cursar uma faculdade.

É o caso de Thiago Costa Santos, de 19 anos. Aluno de escola pública até a 6ª série, sua vida mudou completamente depois de sua participação na Olimpíada Paulista de Matemática. Seu excelente desempenho chamou a atenção dos organizadores, que concederam ao jovem uma bolsa de estudo no Colégio Etapa, em São Paulo, na 8ª série.

De lá para cá não parou mais: Thiago chegou até a participar da Olimpíada Internacional de Matemática em Atenas, na Grécia, conquistando a medalha de bronze, em 2004. Hoje, Thiago estuda no Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Se tudo isso seria possível sem a Olimpíada Paulista de Matemática? Thiago acredita que não. “Talvez agora eu não pudesse estudar, teria que estar trabalhando”, afirma. “A preparação que eu tive foi essencial para chegar aqui”.

Outro foco

Edmilson Motta

Temida por 9 entre 10 estudantes, a simples menção da palavra “matemática” costuma causar arrepios. Mas esse não é o intuito da Olimpíada, que prefere mexer com a maneira com que os estudantes vêem a matéria.

“Nada de problemas abstratos”, declara Edmilson Motta, coordenador da Olimpíada Brasileira de Matemática e responsável pelo departamento de Matemática do Colégio Etapa, em São Paulo (SP).

Ele cita dois exercícios que caíram em edições passadas da Olimpíada: um de logaritmo, relacionado à Torre Eiffel, símbolo de Paris, e outro falava sobre contagem de moléculas do corpo humano.

“O que buscamos são aplicações que tenham a ver com o cotidiano dos alunos, que tratem de situações reais. O estudante acaba se envolvendo naturalmente com a matéria, que se torna mais interessante”, conclui.

Olimpíada Paulista de Matemática
Inscrições: de 01/04 a 30/06

http://www.opm.mat.br

Fotos: divulgação


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