Escola paraibana 'descobre' sala de Informática

Publicado em: 01 de Fevereiro de 2005 | Atualizado em: 01 de Fevereiro de 2005


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Computadores não faltavam nem alunos para usá-los. O problema era que a porta do laboratório de informática da Escola Estadual Hortênsio Ribeiro, de Campina Grande, no interior da Paraíba, vivia fechada - uma realidade freqüente em muitas escolas públicas.

A situação da Hortênsio Ribeiro, no entanto, era peculiar porque a escola situa-se em frente ao Núcleo de Tecnologia e Educação (NTE) da cidade, órgão responsável por coordenar as atividades relacionadas à tecnologia nos estabelecimentos educacionais.

"Era um desperdício ver a sala cheia de computadores com tão pouca utilização. Um ou dois professores, no máximo, freqüentavam o laboratório com os alunos. Não existia consciência sobre o uso de tecnologias", relembra o coordenador do NTE, João Evangelista de Almeida, que sempre acompanhou de perto a situação na escola.

Tudo mudou no espaço de um ano letivo. Entre janeiro e dezembro de 2004, os computadores que antes ficavam trancados na sala passaram a ser utilizados por estudantes e professores, transformando para melhor o dia-a-dia da escola.

A iniciativa de abrir a porta do laboratório de informática partiu da funcionária Paola Ramos, depois de ter participado do Programa Oficinas TICs - Uso Avançado da Tecnologia no Contexto Educacional, em janeiro de 2004.

O curso desenvolvido pela Microsoft, com apoio da Secretaria Estadual de Educação da Paraíba, capacitou 408 agentes da comunidade escolar - entre gestores, professores e alunos. Eles aprenderam técnicas pedagógicas para utilização das tecnologias na escola.

"Enquanto participava do programa, um mundo de possibilidades ia se descortinando. Fiquei fascinada com a oportunidade de tornar o ensino de computação atraente e acessível para todos os alunos", recorda-se Paola.

Auxílio dos alunos

O primeiro passo para a reestruturação do uso do laboratório imaginado por Paola encontrou respaldo na implantação de outro programa da Microsoft: o Aluno Monitor, que faz parte da iniciativa Parceiros na Aprendizagem:

O Aluno Monitor visa capacitar alunos para que possam atuar em parceria com os professores nos laboratórios de Informática de suas escolas, auxiliando estudantes no uso das tecnologias.

Os dois cursos - Oficinas TICs e Aluno Monitor - puseram fim ao impasse que impedia o aprendizado de novas tecnologias em sala de aula. Paola e os alunos monitores conseguiram, aos poucos, inserir a tecnologia na cultura escolar.

Para começar, a chave do laboratório passou a ficar sob responsabilidade dos alunos monitores, que se dividiram em turnos de trabalho. Atualmente Paola atua conjuntamente com os jovens, orientando as atividades que serão desenvolvidas, buscando sempre uma forma criativa e dinâmica de passar o conteúdo aos jovens.

"Acho genial a forma como os alunos se comunicam. Como falam a mesma "língua", eles aprendem muito com os monitores", entusiasma-se.

Para Márcia Batista, diretora da escola, além da facilidade de comunicação entre os jovens mencionada por Paola, o Programa Aluno Monitor propiciou um maior envolvimento com as atividades escolares de maneira geral.

"Percebo que os alunos se tornaram mais interessados. Agora eles se sentem parte do processo educacional e vêem que estão fazendo a diferença", comenta Márcia.

Atenta a esse fato, Paola procura logo incentivar ao perceber que um aluno demonstra especial interesse por Informática. E, muitas vezes, surpreende-se com os pupilos.

"Os mais novos demonstram mais facilidade. Às vezes, alunos de 5a série vêm me ensinar algo que aprenderam", revela.

Para Paola, ainda falta muito a ser melhorado. Idealista, a jovem não se dá por vencida, apesar de perceber o quanto já mudou na escola.

"Vamos continuar lutando", afirma. Essa luta inclui a reforma do laboratório, que, segundo ela, "é muito abafado e prejudica o trabalho dos alunos".

A solução para o calor seria instalar um aparelho de ar-condicionado - o que, ironicamente, obrigaria a fechar a porta do laboratório, durante as aulas, para refrescar o ambiente.

Nesse caso, porém, a sala de informática ficaria fechada por uma boa razão. E Paola, juntamente com os alunos monitores, poderiam auxiliar, com mais conforto, os demais estudantes e professores no uso das tecnologias.


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