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Uma educadora por vocação e professora por predestinação

Professora recebe o Prêmio Educadores Inovadores em 2008

Conta a lenda que em tempos remotos, no sertão pernambucano, um jovem e apaixonado casal sucumbiu aos perigos das águas ao tentar atravessar o leito do Rio Pajeú em época de forte cheia. Apenas algum tempo depois, foram encontrados os corpos dos jovens, presos a um tronco de ingazeira. Teria vindo daí o pitoresco nome Afogados da Ingazeira, que denomina esta cidade, pólo do interior de Pernambuco localizada no Sertão do Pajeú*. É neste cenário que em 1977, no dia 15 de outubro nasce aquela que 30 anos depois ganharia o Prêmio Educadores Inovadores de 2008 e representaria toda a educação daquele povo.

Cláudia de Almeida Pires é, segundo ela, ”educadora por vocação e professora por predestinação”. É filha de mãe professora e por brincadeira do destino talvez, nasceu no Dia do Professor – 15 de outubro; é casada e tem um casal de filhos, com quem adora ver filmes e compartilhar a cama.

Ainda quando menina percebeu que possuía uma grande afinidade com a área de exatas, por isso optou pelo curso técnico de contabilidade. Sempre estudou em escola pública e aos 16 anos sua vida tomou rumos fundamentais para sua formação atual. “Tive meu primeiro filho, terminei o segundo grau e entrei para a Faculdade cursando Licenciatura em Ciências com Habilitação em Matemática”, conta Cláudia.

Em 1995, ainda durante a faculdade, a educadora adquiriu seu primeiro computador, artigo raro no interior de Pernambuco. Foi a partir deste momento que a união bem sucedida entre educação e tecnologia começou. “Com os computadores chegando aos diversos setores da cidade fui convidada a atuar como professora de informática básica numa clínica médica e um mês depois, também no hospital regional da cidade. Segui nessa jornada tripla até o final da faculdade”, revela a educadora.

Ao terminar o curso Cláudia Almeida passou a dar aulas em escolas municipais de Afogados da Ingazeira e região. No entanto, não existiam laboratórios de informática nesses locais, por isso seu contato mais próximo com este universo ficou restrito ao hospital onde continuava trabalhando.

A oportunidade de aliar informática à educação só surgiu depois de vários anos como professora. Em 2005, a pernambucana lecionava na mesma escola onde estudou, o Colégio Normal Estadual e como um bom filho à casa torna, Cláudia foi presenteada com a disciplina de “Informática Aplicada à Educação”, no curso Normal Médio.

Apesar da rotina corrida em meio a tantas aulas, ela não deixou de estudar e de se especializar. “Em paralelo iniciei os Cursos de Especialização e Mestrado, onde busquei focar o trabalho pedagógico auxiliado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC - em ambas as pesquisas.

Com o investimento em estudos e muita dedicação, a professora de informática desenvolveu o projeto “Escola.com CIÊNCIA”. A proposta do trabalho era aproveitar a familiaridade que os jovens têm com a tecnologia, em atividades práticas em suas formações como professores.

Cláudia conta que “como o colégio contempla diversos níveis de ensino, essa proposta pôde contar com o envolvimento de diversos atores: os alunos do curso Normal Médio (normalistas), que planejam oficinas que são vivenciadas com as turmas do Fundamental I; os alunos do Ensino Fundamental I, que participam das oficinas; e por último os professores do Fundamental I. Assim surgiu a ideia de instituir um verdadeiro estágio supervisionado na área de Informática Aplicada à Educação, desde a formação inicial dos professores”.

Ainda segundo ela, a grande importância deste trabalho é a contribuição para que futuros educadores tenham na prática a oportunidade de desenvolver e realizar atividades com a ajuda da tecnologia. “O projeto é inovador, permite que jovens futuros professores, em uma formação ainda de nível médio, possam vivenciar com postura crítica, atividades auxiliadas pelos diferentes recursos tecnológicos, observando as potencialidades e obstáculos no uso dessas ferramentas”, explica Cláudia.

E foi com esta iniciativa que a educadora de Pernambuco foi finalista da segunda edição do Prêmio Educadores Inovadores, em 2007 e foi a vencedora na categoria “Aluno Monitor”, em 2008. Além disso, ela também foi uma das representantes do Brasil na etapa regional do prêmio, que aconteceu na Guatemala no mesmo ano.

Ao voltar para sua cidade após as conquistas, a professora foi recebida com muita alegria pelos estudantes. “Os alunos normalistas sabem que no contexto do trabalho proposto todos eram professores e aprendizes. E a proposta era realmente essa: ensinar aprendendo e aprender ensinando!”, ressalta a educadora inovadora.

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*Trecho do livro “Saber Cuidar”, onde Cláudia Almeida teve o Projeto - “Do óleo ao sabão: uma mão lava a outra mão” – publicado como um dos ganhadores do Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade (PIRES, 2009, p. 109).


Reportagem: Paola Peres de Oliveira
Imagens: Paulo Pepe


 

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