Projeto STEPE - um passo para o futuro

Publicado em: 20 de Janeiro de 2005 | Atualizado em: 20 de Janeiro de 2005

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Se um projeto de sucesso começa a partir de um sonho, os primeiros alunos do programa Suporte Técnico e Pedagógico às Escolas Públicas (STEPE) já acordaram para uma realidade promissora.

Idealizado pelo departamento de Computação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do campus de Bauru, no interior de São Paulo, o STEPE formou sua segunda turma em novembro de 2004 com louvor.

"Dos 45 alunos monitores que iniciaram o STEPE em 2002, dois abriram uma micro-empresa, cinco arrumaram empregos na área de Informática e um deles - o caso mais brilhante - foi convidado a estagiar no laboratório da faculdade", relata Eduardo Morgado, coordenador do programa.

"Vinte por cento dos alunos já estão com o futuro mais ou menos resolvido - e o STEPE fez uma enorme diferença", estima Morgado.

O programa STEPE foi concebido para oferecer suporte tecnológico às escolas da rede estadual de Bauru e região, com a participação de alunos da área de Computação da Unesp.

Em pouco tempo, o projeto evoluiu de tal modo que passou a integrar alunos das próprias escolas para auxiliar na monitoria.

O STEPE deu tão certo que, em 2003, serviu como inspiração para a concepção do programa Microsoft Aluno Monitor, implantado nos estados de Goiás, Paraíba e São Paulo.

Em entrevista ao Portal de Educação da Microsoft, Eduardo Morgado conta como foi possível transformar o sonho em realidade.

Leia a seguir a entrevista com o professor.

De que forma começou o projeto STEPE (Suporte Técnico e Pedagógico às Escolas Públicas)?

Começou em 2001, com um mutirão de alunos da Computação para configurar as redes locais e a conexão Internet de todas as escolas públicas com laboratórios de Informática, as chamadas Salas Ambiente de Informática. Nesse mutirão percebeu-se a necessidade de oferecer um suporte tecnológico mais permanente.

Como foi a evolução do programa até hoje?

Em 2002, já com apoio da Microsoft, o projeto foi ampliado, com a capacitação de alunos monitores - alunos da própria escola pública que eram treinados na Unesp pelos estudantes de Computação - todas as escolas com Salas Ambiente de Informática eram atendidas.Em 2003, o projeto foi mais uma vez ampliado, passando a se chamar STEPE e incluir alunos das licenciaturas da Faculdade de Ciências, que atuavam no suporte pedagógico aos professores em seus projetos de uso de tecnologia na educação.

Como foram divididas as atividades do STEPE?
Em 2003 e 2004, o STEPE operou em várias frentes, atendendo em cada uma delas um número diferente de escolas e alunos:

Suporte Técnico - oferecido por alunos dos cursos de Computação que visitaram as escolas uma vez por semana para resolver problemas e atender aos alunos monitores. Eles também ofereceram suporte remoto via suporte remoto via Messenger e treinamento;

Aluno Monitor Básico - capacitação de alunos da escola pública para servirem como suporte técnico em sua própria escola;

Aluno Monitor Avançado - alunos monitores que participaram do programa desde 2003 foram capacitados em questões técnicas mais avançadas, como HTML, programação em Flash e construção de páginas web. A idéia era recompensar seu voluntariado com capacitação profissionalizante;

Suporte Pedagógico - alunos de licenciatura receberam capacitação em uso de tecnologia na educação para apoiar professores da rede pública. Para os alunos de licenciatura representa uma oportunidade de prática pedagógica, enquanto para os professores da rede pública representa um curso prático, sob medida e oferecido na própria escola.

O que são o Aluno Técnico e o Concurso de Fotos?
São atividades extras que despertaram grande interesse e podem ter continuidade em 2005;

O Aluno Técnico é um teste piloto de capacitação de alunos em hardware, com montagem e manutenção de computadores;

O Concurso de Fotos é uma competição de fotos digitais que envolveu 150 alunos de cinco escolas públicas que se expressaram sobre o tema "O futuro das tecnologias em minha escola". Um site foi desenvolvido por alunos da Unesp para a exposição e a votação das fotos.

Quantas escolas são atendidas e quantos alunos participam do programa?

Em 2004, as 21 escolas da rede estadual de Bauru foram atendidas pelos alunos monitores; 10 escolas foram atendidas pelo Suporte Técnico e outras 5 escolas atendidas pelo Suporte Pedagógico. Podemos dizer que todas as escolas públicas com Salas Ambiente de Informática foram, de alguma forma, atendidas. Pela Unesp, envolvemos 6 alunos dos cursos de Computação em suporte e treinamento, 8 alunos de licenciatura e 5 alunos em desenvolvimento de site -um total de 21 alunos. Nas escolas públicas, tivemos 25 Alunos Monitores Avançados, 150 alunos no concurso de fotos, 10 alunos no Aluno Técnico e um número incontável de Alunos Monitores. Quase 200 alunos foram envolvidos.

Como surgiu a idéia de capacitar alunos para atuar como monitores nos laboratórios de Informática?

Quando os estudantes de Computação visitavam as escolas em 2001 e 2002, encontravam alunos da escola que demonstravam interesse em aprender e em ajudar. Como projetos semelhantes já haviam sido desenvolvidos em outros locais, como no Espírito Santo, pelo Proinfo resolvemos que isso poderia ser feito também em Bauru. Mas com uma inovação fundamental: quem treinaria os alunos das escolas seriam também alunos, só que da faculdade - isso foi um enorme sucesso.

Como é feito o atendimento às dúvidas dos alunos monitores?

Dúvidas urgentes são resolvidas pelo MSN Messenger, que todos os alunos aprendem a usar desde o primeiro dia. Além disso, temos as visitas regulares dos alunos de Computação para os casos mais complexos. No caso dos alunos monitores, que tratam de problemas técnicos de hardware e software, os professores dos cursos presenciais e os tutores a distância são sempre alunos de graduação dos cursos de Computação. No caso do Suporte Pedagógico, tanto a capacitação, como o atendimento de dúvidas é feito por professores da Faculdade de Ciências.

De que modo a presença dos alunos monitores melhorou o rendimento dos alunos nos laboratórios?

As Salas Ambiente passaram a ficar mais tempo disponíveis para os alunos da escola, que mais professores estavam utilizando a sala e que os alunos eram mais produtivos em atividades de pesquisa. Tudo isso é devido à manutenção dos equipamentos em condições ótimas de funcionamento e à presença do Aluno Monitor antes e durante as aulas e atividades livres dos alunos.

A "barreira" que muitos professores tinham em relação ao uso da tecnologia nas aulas ainda existe?

Sim, existe, mas mais por questões conjunturais. A maioria dos professores quer a inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação no processo de ensino e aprendizagem. Porém, infelizmente:

a) os laboratórios das escolas contam com poucos micros e, muitas vezes, não é possível levar uma turma toda ao mesmo tempo;
b) normalmente existe apenas um laboratório por escola. O ideal seria ter, pelo menos, dois laboratórios - um para as aulas e outro para uso livre;
c) os professores lecionam demais e tem pouco tempo para preparar aulas com uso das TICs;
d) A maioria dos professores não possui micro em casa nem na sala dos professores. Eles precisam preparar suas atividades no mesmo laboratório e na mesma hora que os alunos estão lá.

Apesar disso, estou bastante otimista. O Estado de São Paulo tem feito um enorme esforço de informatização das escolas - espera-se que em 2005, todas as escolas estaduais tenham micros. Algumas empresas, como a Microsoft, estão desenvolvendo programas de apoio às escolas e aos professores. E projetos como o Stepe garantem apoio técnico, pedagógico e de gerenciamento de laboratórios.

O que é preciso para que a escola se aproprie, de fato, da tecnologia?

É preciso que:

a) os alunos tenham espaço para "uso livre" para poder "descobrir os recursos dos computadores";
b) os professores tenham uma melhor estrutura de trabalho - mais horas de preparação de aulas e salas com mais micros e, é claro mais capacitação para o uso das TICs, o que teria que ser apoiado por programas de micros para o professor.

"Prontos para o próximo desafio"


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