Papo enriquecedor entre pessoas de idiomas diferentes é tema de projeto

Publicado em: 27 de Março de 2006


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"Uma boa forma de aprender idiomas estrangeiros (mas não a única) é conversar com nativos". Você certamente já deve ter ouvido esse comentário por aí. A notícia interessante é que não é mais necessário se deslocar para outro país para colocar isso em prática.

Prof. João Telles

É exatamente isso que propõe o projeto Teletandem Brasil, desenvolvido pelo educador João Antonio Telles, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que utiliza ferramentas de Internet, como o MSN Messenger para facilitar a comunicação em tempo real entre estudantes à distância.

Ainda em fase de implantação, o projeto está buscando parcerias e visa envolver estudantes de todo o país, em escolas da rede pública.

O Teletandem Brasil foi inspirado no aprendizado in-tandem, que surgiu na Alemanha nos anos 70. Desde o começo, o intandem, cujo nome é inspirado no nome da bicicleta para duas pessoas em alemão (tandem), teve como objetivo revolucionar o ensino de línguas estrangeiras. A proposta, bastante simples, é de colocar em contato pares de pessoas de línguas maternas diferentes e que tenham interesse em aprender com seus interlocutores.

Seguindo o mesmo princípio, o projeto Teletandem Brasil permite que um estudante chinês que aprenda português e um brasileiro que sonhe falar mandarim fluentemente conversem com freqüência e descubram particularidades sobre seus idiomas. Bem à vontade, eles não se intimidam na hora de perguntar suas dúvidas pela internet, promovendo uma comunicação descontraída entre os participantes e fazendo com que conheçam melhor as realidades de outros países.

Novas possibilidades

Antes da chegada da internet, o intandem à distância, (teletandem), praticamente não existia, já que as cartas demoram muito para chegar e o alto custo das ligações internacionais impossibilita o processo. Por isso, no passado, as pessoas tinham que se encontrar presencialmente.

“Programas de comunicação como o MSN Messenger, que é muito próximo da linguagem face-a-face, trouxeram novas possibilidades para o intandem”, afirma o professor João Telles. O educador explica que o programa dispõe de todos os recursos para uma comunicação fluente, ou seja, as habilidades receptivas (ouvir e ler) e emissoras (falar e escrever).

“Isso sem contar a prática das habilidades paralingüísticas, já que o aplicativo oferece aos seus usuários a imagem em vídeo”, acrescenta o professor, que diz que os pares aprendem também lendo as expressões de seu parceiro por meio das imagens de vídeo.

Um pouco de tudo

Como qualquer método pedagógico, o teletandem pressupõe constância e comprometimento entre os participantes.

“A disponibilidade de horários dos pares é essencial, pois ela os une ou os separa”, afirma o educador. “As diferenças de horários entre os países afetam tal disponibilidade e, quando são compatíveis, contribui para que os pares permaneçam juntos”.

Fala-se sobre tudo em uma sessão de teletandem, que geralmente dura 60 minutos. Destes, 40 são dedicados à interação entre os pares, que trocam idéias sobre assuntos de suas escolhas e preferências. Também fazem comentários sobre revistas, livros e notícias. Os 20 minutos restantes são utilizados para o feedback lingüístico dado pelo nativo ou pessoa mais experiente no idioma. Esta divisão evita que a comunicação se transforme em um bate-papo vazio.

Não há uma regra, mas normalmente os processos de teletandem duram três meses, com duas horas (uma hora para cada língua) por semana.

Papel do professor

Com maior autonomia, os participantes do teletandem necessitam de professores que ajam como mediadores do conhecimento. Ou seja, aquele educador que acha que o ensino ainda é feito de giz e lousa, e só, está fora.

“O professor tem que perceber que seu papel nesse processo é o de orientar, de trazer informações para que, junto com os alunos, faça a seleção dos assuntos a serem abordados nas sessões”, afirma João Telles.

Por isso, o bom mediador deve ter não apenas o conhecimento nos idiomas, mas também facilidade com os processos de comunicação e interação.

Força para a educação

Segundo o professor, o Brasil tem muito a ganhar com esta nova proposta de apoio ao ensino de idiomas.

Como grande parte da população não tem condições financeiras de fazer viagens internacionais para aprimorar a fluência, nada mais prático do que aproveitar os recursos da tecnologia em proveito da educação.

Reportagem: Vivian Ragazzi

Arte: Luciana Tenório


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