Criatividade e tecnologia para alfabetizar as crianças
Primeiro elas conhecem a história de seus nomes...A alfabetização é o processo pelo qual se conhece as letras e a sua utilização como código de comunicação. Mas não é apenas isso, uma forma tão mecânica no ato de ler e escrever, mas também requer a habilidade de interpretar, compreender e produzir conhecimento, O educador Paulo Freire, ao defender o “Método de Alfabetização” – que propõe e estimula a inserção do adulto iletrado na sua realidade – buscou não apenas a leitura da palavra, mas a leitura do mundo, indo além das normas metodológicas.
Teorias e exemplos como este permeiam a idéia do projeto “Meu nome na história? E pode?”, desenvolvido na Escola de Educação Básica e Profissional Fundação Bradesco, localizada em Manaus, Amazônia. O trabalho proporcionou a alfabetização de 70 alunos trabalhando na ampla relação com o cotidiano e com o processo de aprendizagem na escola, onde a diversidade cultural, hábitos e costumes fizeram parte do viver de cada uma delas.
Proposta pela educadora Mary Sônia Dutra de Alencar, a meta principal de “Meu nome na história” foi nortear as atividades escolares e permitir a construção de uma escola inserida na comunidade, possibilitando o envolvimento dos alunos como co-autores de suas aprendizagens, além de apresentá-los desde cedo a recursos tecnológicos.
Mary conta que todos os anos ela recebe 70 crianças na faixa etária de 6 e 7 anos com desejo enorme de aprender a ler e escrever, com um olhar mágico para a escola. “A força que elas têm em descobrir a leitura e a escrita torna o meu trabalho ainda mais comprometido, dinâmico, para que pudesse desenvolver aulas cada vez mais significativas e que houvesse êxito no processo de alfabetização”.
para em seguida apresentar o que foi aprendidoForça total
A proposta do projeto surgiu quando algumas crianças começaram a relatar a história do seu próprio nome e fatos do seu nascimento. Havia uma enorme curiosidade em querer saber mais coisas, principalmente quando seus pais comentaram que alguns nomes foram escolhidos por motivos especiais. Aliás, este envolvimento da escola com a comunidade e os pais das crianças foi um fator essencial para os bons resultados do projeto.
“A comunidade do bairro alvorada sempre foi um grupo presente, participativo e envolvido e todas as atividades propostas pela Instituição”, explica a educadora.
A partir disso, os alunos começaram a ir cada vez mais fundo em suas histórias de vida: buscaram fotos antigas, imagens da mãe ainda grávida, listaram seus apelidos e até mesmo o nome que eles gostariam de ter. Depois disso, conhecem músicas e poesias com a temática de nomes e sobrenomes, dentre ela a poesia “Nome da Gente” de Manuel Bandeira e “A festa das letras”, de Cecília Meireles.
Passo a passo:
1º passo: Peça para as crianças conversarem com seus familiares para descobrir a história de seu nome. Por que ele foi escolhido? Quem o escolheu?
2º passo: Distribua fichas com o nome e sobrenome;
3º passo: Apresente músicas sobre o tema (Gente tem Sobrenome – Toquinho), poesias (Manuel Bandeira - Nome da Gente), etc;
4º passo: Peça para elas apresentaremsuas histórias para a classe e registre os dados apresentados;
5º passo: Produza um álbum eletrônico com depoimentos orais e escritos (tantos dos pais quanto das crianças) sobre a história dos nomes.
O último passo da atividade foi produzir um álbum eletrônico com depoimentos orais e escritos sobre a história do seu nome, desenho, fotos, músicas, poesias e cantigas. “Foi um momento em que percebi o quanto queriam escrever não só frases, mas trechos significativos sobre a sua história de vida”. Neste projeto, a tecnologia foi utilizada como ferramenta para concretização das idéias dos alunos por meio do Microsoft Word, PowerPoint, Paint Brush e o gravador de som do Windows.
Mary conta que um momento muito importante aconteceu quando as crianças iam até o laboratório de informática e queriam saber como colocar o nome delas no monitor. “A tecnologia ampliou as possibilidades de um trabalho efetivo, significativo e prazeroso às crianças, ultrapassando as fronteiras da sala de aula”.
Para quem quiser fazer uso de suas idéias, Mary dá a dica: as ferramentas utilizadas foram projetadas para que qualquer pessoa possa usufruí-la de forma prática e simples, bastando adaptá-la a própria criatividade do professor. “As crianças aprendem brincando ou brincam aprendendo? Tem horas que eu mesma não sabia distinguir, pois o envolvimento e o compromisso delas era tão grande que ficava surpresa com os resultados”, finaliza.
Reportagem: Adriana de Souza
Fotos: Arquivo pessoal
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