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Os Mundos de RoL
O Rise of Legends™ apresenta três raças absolutamente distintas que você pode liderar rumo à vitória. Nesta seção, exploramos os diligentes Vincis, os místicos Alins, e os enigmáticos Cuotls. Mergulhe nos personagens e culturas que se espalham pelo mundo de Rise of Legends e conheça mais sobre as histórias que formam o pano de fundo do jogo.

Diário de Giacomo (parte 3)

Dia…
Tolice.

Não sei que dia é. A noite passada foi fria, tão terrivelmente fria. Enfiei-me na areia. Tentei ficar aquecido, mas não pude; cobri-me de areia, e tinha frio; congelei, tremi. Queria calor de novo; pensei que meu corpo fosse congelar.

Hoje está quente. Não tenho água. Não tenho abrigo além dessas pedras sob as quais me encolho. Mas o sol sempre me acha. Não deixa eu me esconder. Imploraria para que ele fosse embora, se ele me ouvisse. O sol me queima, Petruzzo. Juro que o sol é um ser vivo, e quer que eu morra, e vai conseguir o que quer. Eu vou morrer.

Não sei o que fazer, Petruzzo. Tinha pensado em sair à procura de água hoje, mas estou fraco, só consigo ficar sentado. Minhas pernas não se mexem. Tenho tanta sede!

Não vejo ninguém. Não posso gritar por ajuda. Tem areia na minha boca, sempre areia. Estou morrendo, irmão. Por favor, me ajude!

Pessoas! Há pessoas! Nunca vão me encontrar. Muito longe. Não consigo me mexer, não consigo falar. Elas precisam me encontrar. Precisam me ajudar. Ajudar.

Minhas lentes…

 

Dia ?

Não sei que dia é hoje, Petruzzo, mas sei que estou vivo. Descanso numa tenda. Há luz aqui, parece luz de velas, mas não há velas aqui. As chamas simplesmente flutuam pelo ambiente. Toquei numa delas. Não senti calor.

Como cheguei aqui? Lembro-me de estar no deserto, lembro-me do sol cozinhando meu corpo até a morte. Lembro-me de avistar pessoas na distância, de tentar chegar até elas. Minhas pernas não me obedeciam, estavam trêmulas, com cãimbras. Não conseguia ficar de pé. Lembrei das minhas lentes. Desmontei meu magnótico. Levou um tempão, mas achei um espelho no meio das peças. Usei-o para fazer sinais de luz, implorando para que me vissem. Não me lembro das pessoas chegando perto; devo ter desmaiado. Acordei aqui dentro.

A tenda é fresca, misercordiosamente fresca. A pele do meu rosto está tão sensível que a mais leve brisa incomoda. Devo ter me queimado muito. Só posso imaginar quantas bolhas devo ter pelo corpo. Mas estou vivo, Petruzzo.

Ainda não vi meus salvadores. Tentei chamar alguém, mas minha garganta dói muito, e estou sem voz. Ouço pedaços de conversa próximos. Não há dúvida de que é o idioma alin, mas é claro que entendo praticamente nada.

Vou descansar um pouco, Petruzzo. Saiba que seu irmão está a salvo, apesar de todos os esforços que ele fez para se matar.

Seu Irmão, sempre.
— G

 

Dia 20

Vinte dias. Significa que dezessete dias se passaram desde que fui encontrado à beira da morte, e trazido para os cuidados dos alins. Mas hoje vi as estrelas e a lua, e sou bom o suficiente em astronomia para calcular datas. Nem acredito que tanto tempo se passou.

Os alins, caro irmão, são um povo fascinante, e têm sido muito bondosos. Mas como sou uma criatura tola de Miana, de início interpretei mal a bondade deles.

Esta manhã, acordei durante os cuidados ministrados por um de meus benfeitores. Tentei saudá-lo, mas minha voz arranhou a garganta e comecei a tossir. O alin me trouxe água, ajudou-me a sentar na cama, e ajudou-me, mais uma vez, a beber. Senti-me como uma criança, incapaz até mesmo de me alimentar sozinho. A água ajudou. Fui capaz de falar, de agradecer ao homem por sua caridade. Ele meneou a cabeça, entendendo meus sentimentos, mesmo sem entender as palavras. Ao virar-se para sair, o homem avistou meu magnótico, deixado entre meus pertences. Observei deliciado o homem tomá-lo nas maõs para examiná-lo. Deduzi que os alins provavelmente nunca viram nada parecido.

Minha diversão virou horror quando vi o homem tirar as lentes de seus encaixes. Passei semanas lapidando aquelas lentes a partir do melhor vidro disponível em terras dos Vinci. Dizer que são delicadas seria um enorme e abusado eufemismo. Prendi a respiração enquanto o homem ficou de pé, com as lentes na mão. Daí, simplesmente saiu, levando as lentes consigo. Chamei-o com toda força de que dispunha, e que não era muita. Ele voltou só depois que uma hora se passou.

Quando finalmente reapareceu, ele sorriu, apanhou meu magnótico mais uma vez, e cuidadosamente inseriu as lentes de volta a seus encaixes. Presumi que ele simplesmente ficara fascinado pelas lentes, e tivesse passado aquela última hora exibindo-as para seus amigos, talvez. Eu não queria nem imaginar as manchas e riscos que deveriam estar conspurcando sua preciosa transparência. O homem empurrou o último berço de volta à posição original, e entregou-me o magnótico montado. Cheio de medo, levei o aparelho aos olhos.

De início, achei que fosse um truque. Eu podia ver tudo, Petruzzo. Podia enxergar cada fibra em cada fio do pano da tenda. Podia ver animaizinhos minúsculos, com forma de verme, caminhando pelos cantos, com centenas de braços (ou pernas) ondulando, como se fossem remos de algum navio imaginário. Minhas lentes eram as melhores conhecidas em Vinci. Mas até aquele momento, tinham sido apenas um brinquedo. Baixei o magnótico ao colo, e encarei o alin com admiração estarrecida. Ele sorriu mais uma vez, e levou sua palma ao peito.

“Fezzi”, disse ele. Tocou em seu peito mais uma vez e repetiu: “Fezzi”.

Fiz o mesmo gesto, acompanhado do meu próprio nome. Ele sorriu de novo, e eu sorri de volta.

Fezzi me visitou várias vezes desde então. Fazemos um pequeno jogo: eu aponto para objetos em redor, e ele diz seus nomes. Faço o mesmo para ele, no meu idioma nativo. É uma forma simples de aprender, mas é estranhamente emocionante. Penetrei num novo mundo, Petruzzo. Não é a majestosa cidade de Azar Harif, mas isso não tem importância.

Seu Irmão, sempre.
— G

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