Prontuário Eletrônico do Paciente estabelece uma nova tendência da modernização na saúde A tecnologia da informação é realidade na atuação profissional de diversas áreas. Na saúde, sua incorporação se destaca quando o assunto é prontuário do paciente. O arquivamento do histórico de saúde em papel é retrógrado e pouco eficiente, pois além de ocupar muito espaço físico, ele ainda acarreta a falta de praticidade no atendimento ao paciente. 
Carlos Paulo é diretor do Serviço de Arquivo Médico do Hospital das Clínicas | A modernização é uma tendência da atualidade e requer investimentos, tanto do ponto de vista humano como financeiro e organizacional para fazer parte do atendimento de qualidade à saúde da população. A tecnologia, mais especificamente no caso do prontuário do paciente, garante fatores essenciais como o acesso remoto por vários profissionais, a maior legibilidade dos registros, segurança e confiabilidade dos dados e ainda, a assistência à pesquisa (facilitando os estudos epistemológicos pelo uso de palavras-chave). “No Hospital de Clínicas da Unicamp, um uso efetivo do prontuário eletrônico do paciente (PEP) traria sensíveis melhoras do sistema no conceito de resgate de dados com maior agilidade para o setor acadêmico (teses, pesquisas e estudo de casos) e também uma melhora qualitativa no atendimento assistencial. Entendemos que essa deva ser uma tendência natural de evolução dos prontuários médicos e que ferramentas devam surgir para seu futuro desenvolvimento” explica o Diretor do Serviço de Arquivo Médico do Hospital das Clínicas (Unicamp), Adm. Carlos H. O. Paulo. |
“Nos hospitais universitários dados importantes sobre os pacientes se transformam em informação, o que ajuda na pesquisa acadêmica. Essa seria uma integração multidisciplinar do paciente, uma vez que o prontuário eletrônico integra com maior facilidade diversos setores da assistência médica” completa o entrevistado.
Informática em Saúde e o PEP A Informática Médica ou Informática em Saúde é definida por Blois e Shortliffe (1990) como "um campo de rápido desenvolvimento científico que lida com armazenamento, recuperação e uso da informação, dados e conhecimento biomédicos para a resolução de problemas e tomada de decisão". Isso explica a atual e crescente necessidade de recursos para otimizar o armazenamento e gerenciamento de informações biomédicas. O Prontuário faz parte de um projeto ainda maior que é o Sistema Integrado de Gestão Hospitalar. A incorporação da informática em saúde, ao introduzir o conceito de prontuário eletrônico, muda o foco do processo de trabalho assistencial, organizado em função do atendimento a ser prestado ao paciente. “Quanto mais o profissional de saúde estiver inserido no sistema tecnológico mais ágil e eficaz deve se tornar o atendimento ao paciente” diz Carlos Paulo. Uma estruturação padronizada dos dados dos pacientes permite não somente o acesso mais veloz como também o uso simultâneo das informações e como conseqüência a organização mais sistemática, ou seja o maior benefício do PEP é a redução de custos e otimização de recursos. “O prontuário tem um histórico que vem desde os gregos e romanos que o usavam como transmissão de conhecimento para erradicar moléstias. Nesse contexto, já tão antigo, o prontuário é uma ferramenta de confiabilidade e imprescindível na área médica” conta o entrevistado.
Normas e segurança A Resolução 1639/2002 do Conselho Federal de Medicina define normas técnicas para o uso de sistemas informatizados para manuseio do prontuário médico, porém a legislação brasileira define que os prontuários dos pacientes em papel devem ser arquivados por 20 anos. Isso exige a manutenção de estruturas muito onerosas de pessoal, controle e espaço físico. Com a evolução da tecnologia da informação, porém, passou a fazer sentido que essas informações fossem armazenadas apenas eletronicamente. “Essa gama tão alta de informação a ser armazenada eletronicamente necessita de uma base de dados bem consolidada com servidores robustos para garantir sua segurança” diz Carlos Paulo. E a segurança de dados não é problema, desde de que sob um sistema bem projetado com recursos de backup seguros pode garantir de forma mais confiável que os dados não vão sofrer danos e perdas, além de ficarem armazenados em equipamentos robustos que utilizam mecanismos de cópia de segurança permanente e sistemas de contingenciamento.
Implantação e Interoperabilidade O desenvolvimento do PEP requer o entendimento de que a sua construção é um processo. Sua implantação promove a distribuição dos registros de conteúdo entre hospitais, agências de seguro-saúde, clínicas, laboratórios e demais setores envolvidos. Além dessa integração, o PEP possui interoperabilidade, que é a habilidade de dois ou mais sistemas computacionais trocarem informações, de modo que a informação trocada possa ser utilizada. Para que sua implantação proporcione a melhoria no atendimento à saúde da população é preciso que todos os envolvidos permaneçam atualizados com os recentes usos da tecnologia, seus procedimentos e a comunicação atual que se percebe nos processos de saúde. Assim uma mudança significativa deve ocorrer na maneira como a saúde é percebida e atendida. |