TISS - Padronização da informação trocada entre operadoras e prestadores da área de saúde
O que faltava para tornar a cadeia de informações em saúde suplementar mais rápida, eficiente e precisa? A resposta é simples - aproximar as operadoras e prestadores de serviços de saúde através de uma uniformização do intercâmbio de dados por um sistema eletrônico de envio de informações, onde o maior beneficiário, o consumidor de plano de saúde, passasse a receber melhoria de atendimento com agilidade. Essa resolução está sendo gerada pelo TISS - padrão estabelecido pela Agência Nacional de Saúde (ANS) para a Troca de Informação em Saúde Suplementar, com o objetivo principal de padronizar as trocas eletrônicas de informações administrativas e financeiras, o que deve aprimorar a eficiência e efetividade do sistema de saúde. “No Brasil hoje são mais de 40 milhões de usuários cobertos por planos de saúde sendo o setor o segundo maior em termos de gastos no mundo. Estamos atrasados na questão de TI e sistemas informatizados no campo de saúde. A padronização será uma revolução” conta a Gerente Geral de Integração com o SUS da ANS, Jussara Rötzsch. Atualmente existem diversos padrões de guias e de transações eletrônicas e, com a adoção de um padrão único nacional, os prestadores de serviço poderão submeter a mesma guia/transação para qualquer operadora, o que diminuiria um grande índice de glosas e perdas financeiras. O preenchimento de grande variedade de formulários utilizada por cada operadora e os demorados mecanismos para obtenção de autorizações de determinados procedimentos exigiam intensa dedicação burocrática dos prestadores de serviços na área de saúde. Como se a burocratização já não fosse problema suficiente a lentidão dos processos administrativos no atendimento dos beneficiários, assim como as possibilidades de erros e as dificuldades de comparação de dados, eram conseqüências notoriamente associadas ao excesso de papéis e à ausência de sistemas de informação unificados e ágeis. A proposta da ANS é simples e viável porque utiliza padrões já existentes e disponíveis em outros bancos de dados e sistemas de informações, permitindo uma compatibilização com os diversos sistemas de informação em saúde hoje existentes e melhorando a utilização das informações coletadas. É a Resolução Normativa nº 114/2005 que determina a adoção de forma gradual e obrigatória do padrão TISS por parte das operadoras de planos privados de assistência à saúde e dos prestadores de serviço em todo Brasil. A adoção de padrões eletrônicos simplificará significativamente os processos o que resultará na redução de custos administrativos para todos os envolvidos.
Compatibilidade entre sistemas independentes Uma mensagem ou transação eletrônica é um conjunto estruturado de informações trocado entre atores de diversos setores com a finalidade de solicitar uma operação ou informar um resultado. Dentro dessa realidade o objetivo do padrão TISS de atingir a compatibilidade e interoperabilidade entre os diversos sistemas independentes gera redução substancial na manipulação e no tempo de processamento das informações. A ANS optou por adotar o XML/Schema (Extensible MarkUp Language) como linguagem para troca de mensagens eletrônicas por ser um modelo padrão flexível e reconhecido internacionalmente para compatibilidade entre sistemas e dados. A proposta da ANS utiliza padrões já existentes e disponíveis em outros bancos de dados e sistemas de informação da Agência e do Ministério da Saúde, tais com SIB, SIP, SINASC, SINAM, CIH. “Os resultados esperados são justamente a melhoria da disponibilidade e qualidade da informação, redução de custos operacionais e conseqüente melhoria da qualidade da atenção à saúde” diz Jussara. 
Sempre discutindo a questão do TISS, ao centro da mesa, Jussara Rötzsch - Gerente Geral de Integração com o SUS da ANS
| Privacidade e segurança da informação A confiabilidade e segurança são categorias que preocupam os mais variados setores da sociedade. Na área de saúde a privacidade de informações individuais, entre as quais se incluem aquelas referentes ao estado de saúde de cada beneficiário, é levada em conta com a implantação desse padrão. |
A ANS define um padrão de segurança onde tanto as operadoras de planos privados de assistência à saúde quanto para as prestadoras de serviço de saúde que devem construir proteções administrativas, técnicas e físicas para impedir o acesso eletrônico ou manual impróprio à informação de saúde.
Aplicativo de implementação Com objetivo de ser uma implementação de referência a ANS desenvolveu os aplicativos denominado TISSnet e o APLICATISS. Seu uso não será obrigatório, pois são apenas instrumentos informativos para viabilizar a troca de informação eletrônica pelo padrão TISS de maneira a atender às operadoras e prestadores de serviços que ainda não tenham seus próprios sistemas de informação. No entanto, empresas de informática poderão desenvolver suas próprias soluções, desde que estejam em acordo com o Padrão TISS. “O desenvolvimento e implementação de aplicativo informatizado para troca destas informações, poderá facilitar ou mesmo permitir, que pequenas e medias operadoras e prestadores de serviços de saúde participem desta troca de maneira eletrônica, ganhando assim agilidade, diminuição de custos e melhores condições de competir no mercado”, diz Jussara Rötzsch
Desafio As mudanças na cultura e nos processos organizacionais acompanham inúmeros benefícios, mas para que todos os atores saiam ganhando é muito importante uma rede de colaboração para o desenvolvimento de TI na área. O Ministério da Saúde também se beneficia, principalmente com a disponibilidade de dados no mercado privado e a conseqüente garantia de um retrato mais completo da saúde no Brasil. “Nos países em que a troca eletrônica padronizada já foi adotada foi possível notar a diminuição dos custos administrativos, maior eficiência no atendimento aos beneficiários e mais rapidez e agilidade na remuneração aos prestadores de serviços médico-hospitalares” conta Jussara. |  |
A ANS tem por finalidade institucional promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regular as operadoras setoriais - inclusive quanto às suas relações com prestadores e consumidores - e contribuir para o desenvolvimento das ações de saúde no País.
O setor de saúde suplementar enfrenta problemas de assimetria de informação e relações conflituosas entre os atores. A regulação surge para equilibrar a relação dos diversos atores do mercado: beneficiários, operadoras e prestadores de serviço.
Mais informações no site da Agência: http://www.ans.gov.br
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A experiência de um outro país
Nos Estados Unidos, um projeto semelhante foi implantado em 2003, e desde então, já se identificou uma redução de 38% nos custos operacionais no mercado de planos de saúde. A partir da implementação da HIPAA - Health Insurance Portability and Accountability Act, lei que estabelece padrão eletrônico para troca de informações de eventos em saúde, os EUA obtiveram, segundo relatório publicado em julho de 2004, uma redução considerável do tempo de faturamento dos prestadores; antes da padronização, o tempo médio era de 200 dias. Após a vigência do padrão eletrônico, o faturamento passou a ocorrer em aproximadamente 7 dias.
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Programa é considerado inovador pela Federação Européia de Informática Médica
O programa de padronização da Troca de Informação em Saúde Suplementar (TISS), concepção do corpo técnico da Diretoria de Desenvolvimento Setorial da ANS, em convênio com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), foi selecionado para apresentação no XIX Congresso Internacional da Federação Européia de Informática Médica, em agosto de 2006, em Genebra. A capital suíça sediou um dos mais importantes encontros científicos do mundo na área de informática médica. O comitê científico do evento destacou o caráter inovador e interoperacional do TISS, que privilegia a compatibilidade entre as padronizações de informação da saúde suplementar e do SUS. No Brasil, o TISS aquece o debate sobre a troca de informações em saúde e gera expectativas positivas em vários segmentos do mercado nacional.
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